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Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino marcado por apelo renovado ao fim da ocupação BR

Uma jovem palestina com rabo de cavalo está em um telhado em Gaza, olhando para uma paisagem de edifícios destruídos.
© WFP/Maxime Le Lijour Uma menina observa a destruição da cidade de Gaza

Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino marcado por apelo renovado ao fim da ocupação

Assuntos da ONU

No Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, o secretário-geral da ONU apelou ao fim da ocupação e a um avanço “irreversível” para a solução de dois Estados, em conformidade com o direito internacional.

A ONU assinala este sábado o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, num contexto marcado por dois anos de violência e por um cessar-fogo frágil em Gaza. Instituído pela Assembleia Geral em 1977, este dia internacional continua a lembrar que a questão permanece sem solução e que milhões de palestinos ainda aguardam o reconhecimento dos seus direitos inalienáveis.

Este ano, a observância ocorre num contexto de cessar-fogo frágil em Gaza, após dois anos de violência que provocaram elevados números de mortos, deslocação massiva da população e destruição de infraestruturas essenciais. Na sua mensagem, António Guterres destacou que “o sofrimento em Gaza tem sido horrífico”, referindo a morte de dezenas de milhares de pessoas, muitas delas crianças, a disseminação de fome, doença e trauma, e a destruição de escolas, casas e hospitais.

Apelo ao fim da ocupação e a progressos concretos

O secretário-geral alertou que a violência dos últimos dois anos “testou as normas e leis que orientam a comunidade internacional há gerações”, citando as mortes de dezenas de milhares de civis e a deslocação repetida de quase toda a população de Gaza. Condenou igualmente as violações na Cisjordânia ocupada, incluindo operações militares, expansão de colonatos, demolições e ameaças de anexação.

Guterres insistiu que todas as partes devem respeitar plenamente o cessar-fogo e agir em boa fé para avançar para soluções duradouras. Reiterou ainda que a ocupação “é ilícita” e deve terminar, defendendo a necessidade de um processo credível que conduza a uma solução de dois Estados, com Israel e Palestina a viver lado a lado, com Jerusalém como capital de ambos.

Uma mulher palestina segura uma criança pequena em frente a uma tenda danificada pela água no campo de deslocados de Al-Karama, em Gaza.
ONU News Recentemente, No campo de deslocados de Al-Karama, em Deir al-Balah, a chuva da noite inundou e destruiu a tenda de Asmaa Fayad

História, direitos e as consequências humanitárias do conflito

A data de 29 de novembro remete para a resolução 181 (II) de 1947, que previa a criação de dois Estados, dos quais apenas um se concretizou. O dia continua a lembrar que o povo palestiniano, atualmente com mais de oito milhões de pessoas, ainda não alcançou os direitos fundamentais reconhecidos pela Assembleia Geral: autodeterminação, independência e retorno às suas casas e propriedades.

A observância inclui reuniões especiais na sede da ONU, mensagens de solidariedade, eventos culturais e exposições. Em Nova Iorque, representantes de órgãos da ONU, Estados-Membros e sociedade civil reúnem-se para sublinhar a urgência de um acordo político que permita paz duradoura. Este ano, a atenção recaiu também na morte de centenas de trabalhadores humanitários e no papel vital da Unrwa, considerada um “salva-vidas insubstituível” para milhões de palestinianos.

Transformar esperança em futuro

Num momento em que Gaza enfrenta fome, doença e trauma generalizado, e em que a Cisjordânia continua sob forte pressão, a ONU reforça que a solidariedade deve traduzir-se em ação. A prioridade imediata, segundo Guterres, é garantir entrada de ajuda humanitária em escala e apoiar as famílias que perderam tudo, incluindo a devolução imediata e digna dos restos mortais de reféns às famílias israelitas.

Ao encerrar a mensagem do Dia Internacional de Solidariedade, Guterres recordou que a resiliência do povo palestino “é testemunho do espírito humano” e apelou a que a comunidade internacional renove o seu compromisso com dignidade, justiça e autodeterminação. Sublinhou que só com coragem política e ação contínua será possível transformar solidariedade em paz duradoura, e construir um futuro em que todos possam viver com segurança, liberdade e esperança.