Perspectiva Global Reportagens Humanas

Nova campanha global pede ação urgente contra tráfico humano BR

Uma mulher de cabelos loiros está em pé na margem de um lago, contemplando a água calma com um horizonte arborizado sob um céu nublado.
OIT Vítima de traficantes de pessoas na Bielorrússia

Nova campanha global pede ação urgente contra tráfico humano

Assuntos da ONU

ONU lança novos alertas sobre expansão do contrabando de pessoas; juntamente com OIM organização reforça que mundo precisa de respostas mais fortes, coordenadas e centradas nas vítimas; líder da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, apelou por legislação robusta, ação digital eficaz e combate às causas profundas da exploração.

As Nações Unidas discutiram o Plano Global de Ação contra o Tráfico de Pessoas durante um encontro de alto nível, realizado na segunda-feira.

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, lembrou que o tráfico humano continua a prosperar alimentado por pobreza, instabilidade e novas tecnologias que ampliam o alcance de redes criminosas.

Leis fortes, proteção de migrantes e combate ao tráfico digital

Para Baerbock, legislar, proteger e prevenir são pilares inseparáveis, pois não se fala mais de vítimas, mas sim de sobreviventes. Enquanto isso, a Organização Internacional para Migrações, OIM, lançou em Genebra a campanha global “Qualquer um pode ser uma vítima”, que amplifica a voz de sobreviventes e apela a um movimento mundial contra a exploração.

Para a líder da Assembleia Geral, existem três prioridades críticas: legislação abrangente que criminalize todas as formas de tráfico, proteção reforçada para migrantes e deslocados, e respostas capazes de enfrentar o “novo fronte digital”, onde redes criminosas usam IA, deepfakes e plataformas encriptadas para recrutar, explorar e ocultar operações.

O Secretário-Geral da ONU discursa em um pódio durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York.
ONU News Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral

Campanha global centrada nos sobreviventes

A campanha da OIM procura mostrar que qualquer pessoa pode ser alvo de tráfico e que a recuperação exige apoio integrado e de longo prazo.

A diretora-geral da agência, Amy Pope, destacou que o tráfico “destrói escolhas, direitos e futuros”, e que a proteção não pode terminar quando a exploração cessa.

A iniciativa reúne sobreviventes e embaixadores da OIM, incluindo Mo Farah, para combater estigmas, promover compreensão pública e mobilizar recursos para programas de segurança, assistência e reintegração.

Crise global

Com 50 milhões de pessoas sujeitas a trabalho forçado, exploração sexual e casamentos forçados, o tráfico continua alimentado por desigualdades, conflitos e impactos climáticos.

As mulheres e meninas representam a maioria das vítimas, mas o número de pessoas traficadas para trabalho forçado e para crimes online tem vindo a aumentar rapidamente.

Governos foram exortados a modernizar leis, reforçar cooperação internacional, envolver o setor privado e aplicar o princípio de não punição para vítimas coagidas a cometer crimes.

Transformar compromissos em ação

Combater o tráfico exige uma resposta que atravesse fronteiras, setores e sistemas.

Baerbock ressaltou que nenhum Estado sozinho pode enfrentar um crime tão vasto e mutável, pedindo que governos implementem políticas “fundadas na dignidade humana, no rigor e na ação concreta”.

Com o lançamento da campanha da OIM e o apelo político renovado da assembleia geral, a ONU reforçou que proteger sobreviventes, punir traficantes e remover as condições que alimentam a exploração é uma responsabilidade global, e inadiável.