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COP30: seis decisões que podem marcar a luta climática

Uma pessoa segura um smartphone, que exibe a tela de um evento da COP30, a Cúpula do Clima de Belém.
© Unfccc/Diego Herculano A Cúpula do Clima de Belém abre no dia 10 de novembro de 2025

COP30: seis decisões que podem marcar a luta climática

Clima e Meio Ambiente

Conferência marca início de década decisiva contra alterações do clima; reunião decorre após dois anos de recordes de temperaturas e emissões; ONU alerta para urgência de transformar compromissos em ações.

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP30, realiza-se em Belém, no Brasil, num momento considerado decisivo para o futuro do planeta. O encontro tem lugar após dois anos consecutivos de temperaturas globais recordes e aumentos contínuos nas emissões de gases de efeito estufa.

O clima internacional, atualmente marcado por conflitos, tensões comerciais e divergências energéticas, desafia o avanço da diplomacia climática. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, considera que esta poderá ser uma das COP mais importantes da última década.

Delegados participam de uma sessão temática sobre transição energética na cúpula climática da UNFCCC, com uma grande mesa de conferência e imagens de turbinas eólicas ao fundo.
© Unfccc/Kiara Worth Em Belém, Brasil, acontece um encontro sobre a transição para a energia sustentável

 

1. Evitar aquecimento global descontrolado

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025 do Pnuma indica que os compromissos atuais colocam o mundo numa via de aquecimento entre 2,3 e 2,5 ºC até ao final do século. É provável que a meta de 1,5 ºC seja ultrapassada já na próxima década, tornando urgente limitar esse risco e reduzir emissões em setores de alta intensidade, como energia, transportes e indústria.

Os países participantes estarão sob pressão para apresentar planos mais ambiciosos de redução, reforçar metas nacionais e adotar medidas imediatas que evitem um aquecimento irreversível.

 

2. Proteger as comunidades vulneráveis

A adaptação aos impactos climáticos será um dos temas centrais da conferência. O Relatório sobre o Fosso de Adaptação 2025 estima que os países em desenvolvimento precisarão de mais de US$ 310 bilhões anuais até 2035 para se protegerem de eventos extremos e da subida do nível do mar. Atualmente, apenas uma fração deste total é acessível.

A COP30 deverá definir uma nova meta global de financiamento para adaptação, acompanhada de indicadores claros de progresso. Investimentos em sistemas de alerta precoce e infraestruturas resilientes poderão reduzir perdas e salvar vidas.

 

3. Cumprir a promessa de US$ 1 trilhão

O Azerbaijão, que sediou a COP29, e o Brasil propuseram um roteiro para mobilizar US$1,3 trilhão anuais até 2035 em apoio climático a países em desenvolvimento.

O plano visa combinar fundos públicos e privados, ampliando o investimento em mitigação e adaptação.

Espera-se que os países desenvolvidos liderem a reforma de bancos multilaterais e criem instrumentos que atraiam capital privado em larga escala. O desafio é transformar promessas financeiras em fluxos reais e sustentáveis de apoio climático.

 

4. Impulsionar soluções inovadoras

A COP30 destacará os compromissos de várias iniciativas inovadoras para combater as alterações climáticas.

Entre elas estão a campanha Beat the Heat, ou Vença o Calor, focada em refrigeração sustentável e espaços urbanos verdes, e o Food Waste Breakthrough, um plano para reduzir o desperdício alimentar em 50% em cinco anos, evitando até 7% das emissões globais de metano.

O “Bairro do Mutirão para Cidades, Água e Infraestrutura” do Brasil mostra como o design inteligente e os sistemas circulares podem refrigerar, conservar e conectar comunidades.

Por fim, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que incentiva financeiramente os países a conservar florestas tropicais. O mecanismo poderá garantir mais de metade do financiamento necessário para proteger ecossistemas vitais e as comunidades que deles dependem.

 

5. Assegurar transições justas e inclusivas

A transição energética e a descarbonização geram oportunidades económicas, mas também riscos para trabalhadores e comunidades dependentes de setores de alto carbono. A COP30 deverá aprovar o Mecanismo de Ação de Belém para uma Transição Justa, que orientará políticas de emprego, formação e diversificação económica.

O objetivo é colocar as pessoas no centro das mudanças estruturais, garantindo que o avanço das energias limpas promova inclusão social e proteção laboral, e também o combate a poluentes climáticos de curta duração, como o metano.

 

6. Recuperar o Acordo de Paris

Dez anos após o Acordo de Paris, o mundo conseguiu reduzir a trajetória de aquecimento prevista de 3,5 ºC para cerca de 2,5 ºC, mas o ritmo de ação continua insuficiente.

A COP30 é vista como o momento para revitalizar o espírito de cooperação e ambição que marcou 2015.

Ruth Do Coutto, vice-diretora da Divisão de Alterações Climáticas do Pnuma, afirma que “ainda há tempo para evitar os piores efeitos das alterações climáticas”, mas apenas com ação decisiva e imediata.

A conferência de Belém deverá, assim, marcar o início de uma “década de resultados”, transformando compromissos em medidas concretas e verificáveis.

A ONU News está em Belém com o enviado especial Felipe de Carvalho e traz os detalhes da cobertura diariamente.