Perspectiva Global Reportagens Humanas

Guterres gravemente preocupado com escalada da violência militar no Sudão BR

Pessoas deslocadas, principalmente mulheres e crianças, caminham por uma paisagem árida com abrigos improvisados ao fundo.
© Unicef/Brice Kevin Da Refugiados, a maioria mulheres e crianças, que fugiram da violência em El Fasher e outras partes de Darfur, chegam ao Chade

Guterres gravemente preocupado com escalada da violência militar no Sudão

Paz e segurança

Declarações reforçam alerta sobre conflito em Darfur, com aumento crescente no número de vítimas civis; situação na região é considerada uma das piores crises humanitárias do mundoapelo é pelo fim urgente da violência e acesso seguro para passagem de ajuda.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou profunda preocupação com a intensificação dos combates em Darfur do Norte, no Sudão, apelando a um cessar-fogo imediato, ao fim do cerco e ao acesso seguro e sem restrições para ajuda humanitária.

O chefe da ONU afirmou que, há mais de 18 meses, El Fasher e as áreas circundantes se tornaram “o epicentro do sofrimento” no país, com centenas de milhares de civis presos por um cerco cada vez mais apertado.

Aumento no número de vítimas civis

Guterres denunciou violações graves do direito internacional humanitário, incluindo ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas, violência de gênero, ataques de motivação étnica e maus-tratos, exigindo o fim imediato destas ações.

As declarações reforçam o alerta sobre a situação em Darfur, onde os confrontos entre as Forças de Apoio Rápido, RSF na sigla em inglês, e o exército sudanês continuam atingindo um número crescente de vítimas civis e agravando uma das piores crises humanitárias do mundo.

A cidade de El Fasher, cercada há mais de um ano, enfrenta níveis alarmantes de fome, deslocamento e colapso total dos serviços básicos. O secretário-geral reiterou que “o acesso humanitário deve ser seguro, rápido e sem restrições”, destacando que o sofrimento da população não pode continuar a ser ignorado.

Crianças sentam-se ao lado de seu abrigo temporário em um campo de deslocados internos em Al Fasher, Darfur do Norte, Sudão.
© Unicef Crianças sentam-se ao lado de tendas improvisadas em El Fasher, Darfur do Norte, onde os combates intensificados deixaram milhares de pessoas presas

Uma cidade sitiada e em colapso

O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, também apelou ao fim urgente da violência e ao acesso seguro para ajuda humanitária. Ele expressou profunda preocupação com a escalada da violência em El Fasher, capital do estado de Darfur do Norte.

De acordo com agências de notícias, a RSF reivindicou o controle total da cidade após tomar a sede da Sexta Divisão do Exército sudanês, um desenvolvimento que, se confirmado, representaria uma guinada decisiva na guerra civil que assola o país desde abril de 2023.

Civis em perigo e hospitais sob ataque

A ONU e as suas agências alertam para o agravamento das condições humanitárias em Darfur, onde ataques deliberados contra civis e infraestruturas médicas se tornaram recorrentes.

Neste mês, pelo menos 20 pessoas morreram em ataques a uma mesquita e ao hospital saudita, o último centro médico ainda funcional em El Fasher. Em setembro, quase 100 civis foram mortos em bombardeamentos semelhantes.

Fletcher reiterou que “os ataques contra civis, hospitais e operações humanitárias devem cessar imediatamente”, enfatizando que quem comete violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos “deve ser responsabilizado”.

Famílias deslocadas viajam em carroças puxadas por burros ao longo de uma estrada empoeirada em El Fasher, no Sudão, carregando barris de água e outros pertences.
© Unicef/Mohammed Jamal Confrontos dentro e ao redor de El Fasher, no Sudão, forçaram muitas famílias a fugir em busca de segurança

Um apelo à paz e à responsabilidade internacional

O chefe humanitário apelou a um cessar-fogo imediato em El Fasher, em toda a região de Darfur e em todo o Sudão. Ele destacou que as partes em conflito devem respeitar o direito internacional e as obrigações definidas na Resolução 2736, 2024 do Conselho de Segurança, que exige o levantamento do cerco à cidade, a proteção dos civis e o acesso humanitário irrestrito.

Fletcher concluiu ressaltando que “os civis devem poder fugir em segurança ou permanecer com dignidade”, e que ninguém deve ser abandonado à fome ou ao medo”, reafirmando o compromisso da ONU em prestar assistência a todas as pessoas afetadas pelo conflito.