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Guterres destaca urgência de ação após decisão de tribunal da ONU sobre Gaza BR

Juízes do Tribunal Internacional de Justiça sentados em seus respectivos bancos durante uma sessão formal do tribunal em Haia.
© ICJ Corte Internacional de Justiça, CIJ

Guterres destaca urgência de ação após decisão de tribunal da ONU sobre Gaza

Paz e segurança

Secretário-geral elogiou parecer da Corte Internacional de Justiça que reafirma deveres de Israel sob o direito internacional e reforça papel das Nações Unidas na proteção dos civis e na prestação de ajuda humanitária.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, elogiou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, CIJ, sobre as obrigações fundamentais de Israel nos Territórios Palestinos Ocupados, em particular em Gaza.

A decisão sublinha o dever de garantir o acesso a bens essenciais, permitir a assistência humanitária imparcial e respeitar o direito internacional humanitário e os direitos humanos.

Pessoas caminham por uma paisagem de escombros e prédios destruídos na cidade de Gaza.
UN News Cidade de Gaza, outubro de 2025.

Socorro e fome

Segundo o parecer, Israel tem a obrigação de assegurar que a população dos Territórios Palestinos disponha dos suprimentos essenciais à vida. Diante da falta desses recursos, em Gaza, a Corte declarou que Israel deve facilitar ações de ajuda imparcial, incluindo a prestada pela ONU. E que não deve haver obstrução do auxílio.

A CIJ também reiterou obrigações claras sob o direito humanitário internacional, como proteger o pessoal e as instalações médicas e de socorro, proibir o deslocamento forçado de civis e não usar a fome como método de guerra. O tribunal lembrou ainda que Israel deve respeitar o direito das pessoas detidas a receber visitas da organização Cruz Vermelha.

O parecer reafirma que Israel tem deveres sob o direito internacional dos direitos humanos, devendo respeitar, proteger e cumprir os direitos dos palestinos nos territórios ocupados.

Papel da ONU

A Corte destacou ainda o papel indispensável da ONU, incluindo o da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, na prestação de ajuda humanitária e no apoio ao direito à autodeterminação palestina.  O parecer rejeitou as alegações de falta de imparcialidade ou neutralidade da Unrwa.

Pela decisão, Israel, como Estado-membro da ONU, deve cooperar plenamente com as Nações Unidas e respeitar os privilégios, imunidades e inviolabilidade das suas instalações e do seu pessoal, inclusive em tempos de conflito armado.

Uma mãe palestina segura sua filha pequena, gravemente desnutrida, em uma tenda no campo de refugiados de Al-Bureij, na Faixa de Gaza.
© UNICEF/Eyad El Baba Criança gravemente desnutrida em Gaza

Caminho político e futuro da Palestina

O secretário-geral adiantou que o parecer será transmitido à Assembleia Geral das Nações Unidas, que decidirá os próximos passos.

Ele lembra que a ONU continuará a fornecer assistência humanitária à população em Gaza, sublinhando que a decisão da Corte pode ser decisiva para melhorar a situação trágica no território.

António Guterres voltou a apelar a um caminho político credível que ponha fim à ocupação e conduza a uma solução de dois Estados, com Israel e Palestina a viverem lado a lado em paz e segurança, dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, com Jerusalém como capital de ambos em conformidade com o direito internacional e as resoluções da ONU.