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São Tomé e Príncipe pede justiça climática e alerta sobre prejuízos ao país BR

O primeiro-ministro Américo d'Oliveira dos Ramos, de São Tomé e Príncipe, discursa no debate geral da octogésima sessão da Assembleia Geral da ONU.
ONU/Loey Felipe O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Américo D’Oliveira dos Ramos, conversou com a ONU News após discursar na Assembleia Geral

São Tomé e Príncipe pede justiça climática e alerta sobre prejuízos ao país

Por Monica Grayley*
Assuntos da ONU

Primeiro-ministro diz que nação de língua portuguesa sofre mais com desastres naturais, mas é um dos que menos poluem no mundo; líder do governo diz esperar financiamentos internacionais para países com instituições frágeis.

São Tomé e Príncipe, a nação do oeste da África, espera que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP30, realizada no Brasil, em novembro, seja um “ponto de viragem” para que países insulares recebam o apoio de que precisam para promover ação climática.

A declaração é do primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Américo D’Oliveira dos Ramos, nesta entrevista à ONU News após discursar na Assembleia Geral, em Nova Iorque.

Economia azul

“Tem havido chuvas constantes, enxurradas, que levam ao deslocamento da população, destruição das culturas alimentares e muitos outros impactos. Daí que está claramente visto o impacto das mudanças climáticas em São Tomé e Príncipe. É claro que o país contribui quase insignificantemente para o efeito estufa, mas é o país que sofre mais com o impacto dos poluidores que poluem com o maior efeito estufa do mundo inteiro.”

O primeiro-ministro afirma que São Tomé e Príncipe tem se esforçado para promover mitigação dos efeitos da mudança climática, mas que precisa de mais financiamento.

O país africano se tornou a sede regional da economia azul. Ramos lembra que São Tomé elaborou uma estratégia e um plano de investimento com a ajuda de parceiros internacionais.

Graduação: bênção e desafio

Ao ser perguntando sobre a promoção da nação lusófona à categoria de país de desenvolvimento médio, o líder do governo são-tomense, disse que a medida ajuda, mas também inspira atenção e estratégias políticas.

“Essa graduação é uma bênção, mas pode traduzir-se num desafio. O país agora tem acesso ilimitado a determinados financiamentos, mas é hora de fazer uma viragem para potencializar-se o sector privado. Nós temos várias áreas como  turismo, infraestrutura, como energia que podem ser vigiados pelo sector privado.”

No fim deste ano, São Tomé e Príncipe organiza em Bruxelas, na Bélgica, um Fórum de Investimento para promover uma plataforma de investidores e parceiros no país africano.

Vista da Barragem do Poilão em Santiago, São Tomé e Príncipe, com colinas verdejantes e palmeiras em primeiro plano e montanhas envoltas em névoa ao fundo.
© IWRM AIO SIDS Santiago em São Tomé e Príncipe

Quase 60% são jovens

Uma das prioridades de São Tomé e Príncipe, segundo o primeiro-ministro, é promover o bem-estar e emprego da juventude, que forma quase 60% da população são-tomense.

“A criação do emprego é aquilo que nós tentamos levar a cabo em quase todas as nossas ações de política para permitir que os jovens encontrem um lugar adequado para viver em São Tomé e Príncipe. Por isso, os jovens, a questão do turismo, nós temos um Ministério de Turismo Sustentável e Juventude. Isso é para mandar um sinal, uma mensagem de que os jovens são o centro de toda a política pública do governo.”

Américo Ramos disse que o país deve promover um encontro para convencer mais investidores em Bruxelas.

Ao falar do aniversário dos 80 anos das Nações Unidas, o líder do governo são-tomense disse que a ONU precisa ser mais “perseverante e determinada” em seu processo de reformas.

Determinação contra conflitos

Segundo Américo Ramos, a ONU deve ser mais ativa na prevenção de conflitos e guerras também.

“É preciso fazer reformas, reformas que permitem inclusão e integração. É preciso olhar para os mais frágeis. É preciso integrar os Estados insulares. É preciso passar uma mensagem de união, uma mensagem de paz. Essa mensagem tem sido passada. Mas é preciso reforçar ainda mais. Os conflitos que têm surgido internacionalmente requerem da ONU uma posição mais firme, determinada para que nós possamos ultrapassar esse momento.”

Vista aérea de uma estrada de terra serpenteando por uma exuberante floresta tropical na bacia do Rio Provaz, perto de Neves, São Tomé e Príncipe.
© IWRM AIO SIDS A bacia do Rio Provaz é uma importante fonte de água na cidade de Neves, em São Tomé e Príncipe

Língua portuguesa e Cplp

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe elogiou o papel de seu próprio país na presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, que completa 30 anos em julho de 2026.

Para ele, a comunidade deve seguir “coesa e firme” tendo uma só voz para lidar com os desafios atuais.

São Tomé e Príncipe discursou antes de Cabo Verde e Timor-Leste para encerrar a lista de países de língua portuguesa no Debate Geral da Assembleia Geral este ano.

*Com reportagem de Felipe de Carvalho e Ana Paula Loureiro.