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Guiné-Bissau defende reformas, multilateralismo e cooperação internacional BR

O presidente da Guiné-Bissau, Úmaro Sissoco Embaló, discursa no debate geral da octogésima sessão da Assembleia Geral
ONU/Loey Felipe
O presidente da Guiné-Bissau, Úmaro Sissoco Embaló, discursa no debate geral da octogésima sessão da Assembleia Geral

Guiné-Bissau defende reformas, multilateralismo e cooperação internacional

Por Inês Ricardo*
Assuntos da ONU

Presidente da nação africana, de língua portuguesa, reafirmou compromisso com multilateralismo e eleições pacíficas;  Umaro Sissoco Embaló destacou necessidade de reformas na ONU para fortalecer Sul Global; ele apelou à cooperação internacional para enfrentar crises globais e reduzir desigualdades.

O presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, discursou esta quinta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas. O líder africano iniciou a sua intervenção, reafirmando o apoio total do país, de língua portuguesa, aos “esforços incansáveis do secretário-geral, António Guterres, em prol da paz mundial e da cooperação internacional.”

Durante o seu discurso, ele destacou a importância de eleições livres e democráticas, defendeu reformas para maior representatividade do Sul Global, e sublinhou a necessidade de cooperação internacional para enfrentar crises globais e reduzir as desigualdades existentes.

Importância das agências

Sissoco Embaló reforçou a relevância das Nações Unidas, especialmente nos tempos de incerteza e crise global, como “o único fórum onde todas as nações — grandes e pequenas — têm um lugar e uma voz.”

“As suas agências, nomeadamente: OMS. Unesco, Unifef, FAO, PAM, HCR e outras tratam educação, vacinam, alimentam e protegem, todos os dias, milhões de seres humanos, e contribuem na luta contra a pobreza e a discriminação contra mulheres e meninas em todas as partes do mundo.”

Multiplicidade de crises

O presidente deixou também uma palavra sobre o impacto desproporcional que as desigualdades socioeconómicas, choques ambientais, a instabilidade política e as emergências humanitárias têm nos países em desenvolvimento.

O líder da Guiné-Bissau acredita que “o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, abrandou significativamente ou mesmo estagnou. O peso da dívida soberana dos países pobres está a aumentar, enquanto a ajuda ao desenvolvimento está a diminuir.”, desejando que o “Pacto para o Futuro” se concretize em ações e não apenas no papel.

Compromisso multilateral

Na sua intervenção, Umaro Sussoco Embaló, mencionou a importância da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp. Em julho, a Guiné-Bissau acolheu a 15.ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, e assumiu a presidência para o mandato 2025-2027.

“Durante o nosso mandato, continuaremos a trabalhar com todos os parceiros e organizações multilaterais com vista à implementação dos compromissos assumidos ao nível global. Nomeadamente, o Acordo de Paris sobre alterações climáticas e a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano e a Quarta Conferência das Nações Unidas sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, realizada em Sevilha, em junho passado.”

O presidente da Guiné-Bissau se mostrou otimista para a realização da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP30, marcada para Belém do Pará, no Brasil.

Crianças nas ruas de Bissau
Alexandre Soares
Crianças nas ruas de Bissau

Eleições pacíficas, livres, transparentes e credíveis

Relativamente à situação política da Guiné-Bissau, o presidente mencionou as eleições presidenciais e legislativas marcadas para 23 de novembro deste ano, garantindo que estão a ser criadas as condições necessárias para que as eleições sejam “realizadas de forma pacífica, livre, transparente e credível".

O diálogo, a inclusão, a estabilidade política e a consolidação do Estado de Direito democrático foram as suas prioridades durante os últimos cinco anos.

Reformas urgentes para o futuro

Umaro Sissoco Embaló enfatizou a multilateralidade da ONU, “as Nações Unidas somos todos nós: os 193 Estados-Membros, além dos Estados observadores, ONGs, organizações da sociedade civil e outros atores representados nesta grande Sala da Assembleia Geral.”

O presidente guineense propôs, assim, reformas urgentes a serem implementadas pela ONU para enfrentar os desafios atuais. Entre elas encontram-se “reformas que reflitam as realidades geopolíticas atuais e os equilíbrios de poder globais; reformas que expandam e democratizem o Conselho de Segurança; reformas que proporcionem um lugar e uma voz ao Sul Global; e reformas que restaurem a confiança no multilateralismo e na cooperação internacional.”

*Inês Ricardo é estagiária da ONU News sob supervisão da redação.