Perspectiva Global Reportagens Humanas

Agência alerta para dependência europeia de profissionais de saúde do exterior

Uma enfermeira e um enfermeiro, ambos com uniformes azuis, estão em um corredor do hospital, revisando juntos os prontuários dos pacientes.
© OMS/MoH Malta A dependência da Europa de médicos e enfermeiros formados no exterior tem efeitos transfronteiriços, segundo novo relatório da OMS Europa

Agência alerta para dependência europeia de profissionais de saúde do exterior

Saúde

Relatório mostra que em 2024, 60% do pessoal médico e 72% de enfermagem eram formados fora da região; escassez de mais de 950 mil profissionais é prevista até 2030; de 2014 a 2023, número de estrangeiros qualificados na saúde aumentou 58%.

A Organização Mundial da Saúde, OMS/Europa, apresentou um novo relatório sobre a migração dos profissionais de saúde na Região Europeia da OMS, com  base em dados das Contas Nacionais de Força de Trabalho em Saúde e nove estudos de caso. O documento analisa a mobilidade de médicos e enfermeiros e destaca os principais padrões, fluxos e impactos para os sistemas de saúde.

Entre 2014 e 2023, o número de profissionais estrangeiros qualificados a trabalhar na Europa aumentou 58%. No mesmo período, o de novos médicos triplicou e o de novos enfermeiros quintuplicou, sendo a maioria formada fora da Europa.

Impacto nos sistemas de saúde

O rápido crescimento da mobilidade criou novos desafios para a sustentabilidade da força de trabalho em saúde. Países da Europa Oriental perdem profissionais para países vizinhos, agravando a escassez existente. Já em países da Europa Ocidental, cresce a dependência de médicos e enfermeiros  formados no estrangeiro. Na Irlanda, por exemplo, 43% dos médicos e mais de metade dos enfermeiros foram formados fora do país.

A diretora da Divisão de Políticas e Sistemas de Saúde Nacionais da OMS/Europa, Natasha Azzopardi-Muscat, afirma que “a migração dos profissionais de saúde é uma realidade no mercado de trabalho interligado da Europa e deve ser gerida de forma mais justa e sustentável.”

Uma enfermeira vestida com uniforme vermelho e touca cirúrgica prepara materiais em um carrinho médico em uma sala de cirurgia.
© Unsplash/Ezebunwo Omachi De acordo com a OMS, muitos enfermeiros formados no exterior aceitam empregos na Europa

Estudos de caso e soluções

A inclusão de estudos de caso no relatório permite demonstrar diferentes padrões de migração, desafios e oportunidades, bem como lacunas de dados que precisam de ser colmatadas para fundamentar políticas eficazes.

Exemplifica também casos de sucesso. A Roménia conseguiu reduzir a migração de médicos nos últimos anos, ao aumentar salários e condições de trabalho. Da mesma forma, a Irlanda abriu mais vagas para a formação de estudantes nacionais, numa tentativa de se tornar autossuficiente.

OMS apela a uma ação coordenada

A agência defende estratégias de retenção, melhor planeamento da força de trabalho, financiamento a longo prazo e reformas educativas.

Segundo Tomas Zapata, Conselheiro Regional da OMS/Europa para a Força de Trabalho em Saúde e Prestação de Serviços, é essencial apoiar os governos na “implementação de estratégias de retenção, melhor capacidade de planeamento, estratégias de financiamento a longo prazo e reformas educativas.”

A Dra. Azzopardi-Muscat acrescenta que “os países podem aprender com as experiências uns dos outros” e reforça que a mobilidade deve ser gerida com base em princípios de equidade e sustentabilidade.