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Assembleia Geral marca 80 anos de olho no futuro BR

O secretário-geral António Guterres discursa na abertura do debate geral da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU
ONU/Loey Felipe
O secretário-geral António Guterres discursa na abertura do debate geral da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU

Assembleia Geral marca 80 anos de olho no futuro

Assuntos da ONU

Na abertura da Assembleia Geral, o secretário-geral António Guterres apelou a que os Estados-Membros reafirmem o compromisso com a paz, os direitos humanos e justiça climática, enquanto presidente da Casa, Annalena Baerbock, lembra que “sem as Nações Unidas o mundo seria muito pior”.

A 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas abriu em Nova Iorque, marcada por fortes apelos ao multilateralismo e à necessidade de renovar a confiança nos princípios da Carta da ONU.

O secretário-geral António Guterres destacou que “agora é o momento de escolher” e a presidente da Assembleia, Annalena Baerbock, defendeu que a organização precisa de reformas profundas para responder aos desafios do presente.

Guterres: “Nunca desistiremos”

António Guterres começou a sua intervenção recordando a fundação das Nações Unidas há 80 anos, nascida da escolha entre “cooperação em vez de caos, lei em vez de ilegalidade, paz em vez de conflito”. Sublinhou que a organização continua a ser “uma bússola moral” e um pilar essencial para a sobrevivência da humanidade.

Ele destacou cinco escolhas fundamentais que o mundo enfrenta: paz enraizada no direito internacional; dignidade e direitos humanos; justiça climática; tecnologia ao serviço da humanidade; e o reforço do multilateralismo.

Guterres afirmou que “os pilares da paz e do progresso estão a ceder sob o peso da impunidade, da desigualdade e da indiferença”, lembrando conflitos no Sudão, na Ucrânia e em Gaza, onde pediu cessar-fogo permanente, libertação de todos os reféns e acesso humanitário total agora.

O líder da ONU ressaltou ainda que “os direitos humanos não são um ornamento da paz; são a sua base”, apelando a uma economia global mais inclusiva e a um sistema internacional capaz de responder à crise climática. Sobre a transformação tecnológica, advertiu que “a tecnologia deve ser nossa serva, não nossa mestra”, defendendo normas universais para regular a inteligência artificial.

“Agora é o momento de escolher. Pela paz. Pela dignidade. Pela justiça. Pela humanidade. Eu nunca, jamais desistirei”, concluiu.

A presidente da 80ª sessão da Assembleia-geral, Annalena Baerbock, afirmou que este não é um ano de celebração, mas de reflexão e responsabilidade
ONU/Loey Felipe
A presidente da 80ª sessão da Assembleia-geral, Annalena Baerbock, afirmou que este não é um ano de celebração, mas de reflexão e responsabilidade

Baerbock: “Melhor juntos”

A presidente da 80ª sessão da Assembleia-geral, Annalena Baerbock, afirmou que este não é um ano de celebração, mas de reflexão e responsabilidade. Enfatizou que “milhares de órfãos em Gaza, mulheres idosas na Ucrânia escondidas de drones, crianças no Haiti com medo de ir à escola, e que esta é a realidade que enfrentamos”.

Baerbock rejeitou a ideia de que a ONU tenha falhado como instituição, lembrando que “a Carta é tão forte quanto a vontade dos Estados em cumpri-la”. Apontou os resultados alcançados em décadas de ação multilateral, desde o combate à fome ao acesso à saúde e educação, e defendeu que sem as Nações Unidas, o mundo seria muito pior.

Sublinhou que a ONU precisa de reformas profundas para ser “ágil, eficaz e representativa”, incluindo a implementação do Pacto para o Futuro e o avanço nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Baerbock aproveitou ainda para destacar a importância da igualdade de género na liderança da organização, questionando: “Em quase 80 anos, como é possível nunca termos tido uma mulher como Secretária-geral?”.

Reforçar a ONU para os próximos 80 anos

Tanto Guterres como Baerbock enfatizaram que a ONU nasceu em tempos de crise e deve, uma vez mais, demonstrar a sua capacidade de adaptação. A iniciativa UN80 e o Pacto para o Futuro foram apontados como passos centrais para garantir uma organização capaz de responder aos desafios atuais e vindouros.

Para Guterres e Baerbock, este não é um momento para desistir, mas para provar que estamos à altura da responsabilidade coletiva da ONU, pois o verdadeiro poder surge das pessoas e da determinação comum em defender a dignidade e a igualdade.