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Annalena Baerbock assume o cargo em um momento marcado por dezenas de conflitos em andamento

Assembleia Geral da ONU empossa Annalena Baerbock como nova presidente BR

ONU/Eskinder Debebe
Annalena Baerbock assume o cargo em um momento marcado por dezenas de conflitos em andamento

Assembleia Geral da ONU empossa Annalena Baerbock como nova presidente

Assuntos da ONU

ONU News foi às ruas para saber como uma mulher à frente do maior órgão das Nações Unidas pode ajudar a mitigar crise global; alemã é primeira europeia no posto; última mulher a presidir Assembleia deixou cargo em 2019; tema deste ano é: “Melhor juntos: 80 anos e mais pela paz, desenvolvimento e direitos humanos”.

Nesta terça-feira, a alemã Annalena Baerbock assume a presidência da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Eleita em junho, a ex-ministra das Relações Exteriores da Alemanha será somente a quinta mulher em 80 anos a ocupar o posto.

Paz, desenvolvimento e direitos humanos

Em seu discurso após a votação, Baerbock falou do tema da 80ª. Sessão da Assembleia Geral, que marca oito décadas desde a criação da ONU: “Melhor juntos: 80 anos e mais pela paz, desenvolvimento e direitos humanos”.

Para ela, o novo ciclo será um momento crucial para a organização, o centro do sistema multilateral, que está sob imensa pressão.  Ela citou os campos político e financeiro, além dos mais de 120 conflitos armados que lembram que a missão primordial das Nações Unidas, de “salvar as gerações futuras do flagelo da guerra”, continua inacabada.

Antes da alemã, que á a primeira europeia no cargo, serviram na função a indiana Vijaya Lakshmi Pandit em 1953, Angie Brooks da Libéria em 1969, Sheikha Haya Rashed Al-Khalifa, do Bahrein, 2006 e María Fernanda Espinosa, do Equador em 2018.

Perfomance brilhante

A ONU News conversou com Espinosa sobre o tema. Segundo ela, Baerbock tem tudo para ser uma excelente presidente.

María Fernanda Espinosa vê em Annalena Baerbock todas as condições para uma “performance brilhante” como a próxima presidente. Ela ressaltou que a alemã assume a liderança em um momento de “profunda mudança estrutural na instituição, relacionada, em parte, com desafios financeiros”. 

A ONU News também foi às ruas saber o que as pessoas pensam deste retorno de uma mulher à liderança da Assembleia Geral e como elas fazem a diferença no comando de um órgão dessa natureza.

Da Guiné-Bissau, Soraia Molé, estudante de Relações Internacionais, diz que é uma questão de inclusão e inspiração. E que as mulheres já têm contribuído para conduzir destinos de grandes instituições há muito tempo.

Transformar o futuro

“A liderança feminina não é apenas simbólica.  Ela representa o diálogo, a paz, a solidariedade, a empatia e novas formas de enfrentar os desafios globais. Quando uma mulher assume um cargo de poder global, como a presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas, isso rompe barreiras históricas. Inspira milhões de mulheres a acreditarem que também podem liderar e transformar o futuro.  Além disso, demonstra que a liderança não tem gênero. Numa era marcada por conflitos, guerras, desigualdades e desafios climáticos, o mundo precisa de líderes que compreendam a importância do diálogo, da paz, da solidariedade e da inclusão.”

A moçambicana Milú da Graça fala sobre os papéis das mulheres na liderança em um planeta com várias emergências e as implicações para as questões contemporâneas.

“Quando começamos a ter mulheres a ocuparem esses cargos de liderança, em termos de gestão de conflitos, em termos de harmonia, vamos ter todo esse sistema integrado, porque a mulher consegue fazer isso.  A mulher é mãe, então ela usa este lado de mulher para garantir maior harmonia de uma sociedade e de uma nação. Então, a partir deste momento, nós vamos começar a ter um mundo mais inclusivo, um mundo em que todos nós fazemos as mesmas tarefas e automaticamente começamos a desmistificar as qualidades de todo ser humano e começamos a ter este equilíbrio.”

Garantir maior harmonia 

Já para a vice-presidente da Associação dos Alumni Estados Unidos-Angola, Indira Fuacanangui, a nova líder da Assembleia Geral prova que a mulher pode liderar com eficiência.

“Trará uma liderança participativa, em que haverá mais inclusão, conforme dizia. E não só, aspectos ligados a questões de desigualdade salarial, da manutenção da paz, a crise climática, a pobreza e do poder. Então, dar mais espaço para esses assuntos mais difíceis de se resolver, porque temos assistido muitas mulheres que são muito fragilizadas, banalizadas e à violência contra as mulheres. Precisamos ver que esta nova liderança traga uma esperança, uma forma de liderar que possa inspirar as mulheres a tomarem outro rumo, a terem outra decisão e melhoria naquilo que é a questão global e continental.”

Annalena Baerbock promete dirigir a 80ª sessão da Assembleia Geral com visão de unidade e cooperação. A primeira mulher do grupo regional da Europa Ocidental a ser eleita para o cargo e uma das líderes mais jovens de sua geração.

Ela despontou na política no Partido Verde da Alemanha e foi escolhida como ministra das Relações Exteriores no governo do ex-chanceler federal Olaf Scholz.

Annalena Baerbock assume o cargo em um momento marcado por dezenas de conflitos em andamento, passos para acelerar metas de desenvolvimento, crescentes pressões financeiras e iminente seleção do próximo secretário-geral.

Ela disse que seu foco será no que os países podem fazer juntos, em vez de me perguntar o que os divide porque mundo é melhor junto.