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Incêndios na Amazônia causaram pior estrago na qualidade do ar em 2024 BR

Um incêndio queima na floresta amazônica no Brasil
17ª Brigada de Infantaria de Selva Um incêndio queima na floresta amazônica no Brasil

Incêndios na Amazônia causaram pior estrago na qualidade do ar em 2024

Por Felipe de Carvalho*
Clima e Meio Ambiente

Chamas recordes na região emitiram maior concentração de partículas nocivas à saúde; degradação da atmosfera foi vista em cidades distantes dos focos de incêndio; Organização Meteorológica Mundial defende abordagem conjunta de mudanças climáticas e a qualidade do ar.

A qualidade do ar é essencial para a manutenção da vida no planeta, mas ela está sob ameaça crescente devido a ações humanas como a queima de combustíveis fósseis, que são fonte tanto de poluição como de mudanças climáticas.

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, lançou nesta quinta-feira um relatório que examina as tendências e a distribuição geográfica da poluição do ar em 2024 e traça paralelos com a crise do clima.

Chamas alimentadas pelo calor e seca

A maior anomalia ocorreu na bacia amazônica, como resultado de incêndios florestais recordes na Amazônia ocidental e chamas alimentados pela seca no norte da América do Sul.

O cientista da OMM que coordenou o estudo, Lorenzo Labrador, explicou que a análise tem como foco partículas minúsculas, de 2,5 micrômetros ou menos, que são as mais nocivas para a saúde, podendo afetar o trato respiratório. Elas também têm o poder de permanecer no ar por muito tempo e viajar longas distâncias.

Ele explicou que os incêndios na região amazônica em 2024 causaram uma “degradação mensurável na qualidade do ar” em diversas cidades distantes, como São Paulo, no Brasil, e Santiago, no Chile, mas também no Equador.

Os incêndios florestais têm grande impacto na poluição por partículas e espera-se que o problema aumente à medida que o clima esquenta, causando riscos crescentes para a infraestrutura, os ecossistemas e a saúde humana.

Termômetro marca 39 graus na região da Praça da Sé, em São Paulo
Agência Brasil/Paulo Pinto Termômetro marca 39 graus na região da Praça da Sé, em São Paulo

Aumento na concentração de aerossóis na atmosfera

O levantamento da OMM destaca a preocupação com os aerossóis, que são minúsculas partículas transportadas pelo ar. Eles podem aquecer ou resfriar a atmosfera, dependendo de sua composição.

Os mais escuros, como o carbono preto e marrom, aquecem a atmosfera e derretem o gelo ou as geleiras em que pousam.

Por outro lado, aerossóis mais brilhantes, como sulfatos, refletem a radiação solar de volta ao espaço, fornecendo resfriamento temporário antes de se depositar como chuva ácida e neve.

As concentrações de aerossóis na atmosfera aumentaram globalmente entre as décadas de 1950 e 1980, mas diminuíram substancialmente desde então, devido a esforços conjuntos na América do Norte, Europa e, mais tarde, no Leste Asiático.

No entanto, eles continuam a aumentar em algumas regiões, como o sul da Ásia, a América do Sul e as latitudes do norte, devido, em parte, ao aumento dos incêndios florestais.

Um pátio de escola no bairro de Belchatow, em Kleszczow, Polônia, perto de uma usina elétrica a carvão (arquivo)
Climate Visuals/Anna Liminowicz Um pátio de escola no bairro de Belchatow, em Kleszczow, Polônia, perto de uma usina elétrica a carvão (arquivo)

Impactos climáticos e poluição devem ser abordados de forma integrada

A vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, afirmou que "as mudanças climáticas e a qualidade do ar não podem ser abordadas isoladamente”.

Segundo ela, os impactos climáticos e a poluição do ar “não respeitam fronteiras nacionais, como exemplificado pelo calor intenso e pela seca que alimentam incêndios florestais, piorando a qualidade do ar para milhões de pessoas”.

A poluição atmosférica causa mais de 4,5 milhões de mortes prematuras a cada ano em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, com enormes custos ambientais e econômicos.

O Boletim de Qualidade do Ar e Clima da OMM é lançado para marcar o Dia Internacional do Ar Limpo para Céus Azuis, em 7 de setembro.

A agência defende mais colaboração internacional para o monitoramento atmosférico, com foco em previsões e gerenciamento de riscos.

*Com informações da OMM