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Número de crianças fora da escola pode chegar a 278 milhões no ano que vem BR

Crianças deslocadas em uma escola improvisada em tendas, apoiada pelo UNICEF em Bagdá, no Iraque, leem livros didáticos novos.
Unicef/Whatiq Khuzaie Crianças deslocadas em uma sala de aula em Bagdá, Iraque

Número de crianças fora da escola pode chegar a 278 milhões no ano que vem

Cultura e educação

Redução drástica no financiamento global pode forçar 6 milhões de menores a mais abandonarem os estudos; três governos doadores respondem por quase 80% dos cortes; 28 países devem perder pelo menos um quarto da assistência da qual dependem para ensino pré-escolar, fundamental e médio.

Mais de 6 milhões de crianças poderão estar fora da escola até o final de 2026 por causa dos cortes drásticos no financiamento global da educação, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Em um levantamento divulgado nesta quarta-feira, a agência alertou que cerca de um terço dessas crianças precisará de ajuda humanitária.

“Educação serve como tábua de salvação”

A Assistência Oficial ao Desenvolvimento para a educação deverá cair US$ 3,2 bilhões, uma queda de 24% em relação a 2023, com apenas três governos doadores respondendo por quase 80% dos cortes.

Esse declínio elevaria o número de crianças fora da escola em todo o mundo de 272 milhões para 278 milhões. Isso equivaleria a esvaziar todas as escolas primárias da Alemanha e da Itália juntas.

A diretora executiva do Unicef afirmou que “cada dólar cortado na educação não é apenas uma decisão orçamentária, é o futuro de uma criança em jogo”.

Catherine Russell disse que a educação, especialmente em emergências, muitas vezes serve como uma tábua de salvação, conectando crianças a serviços essenciais como saúde, proteção e nutrição.

Orçamento do ensino primário pode cair em um terço

De acordo com a análise, a África Ocidental e Central enfrenta o impacto mais acentuado, com 1,9 milhão de crianças correndo risco de ficar fora da sala de aula.

Já o Oriente Médio e o Norte da África podem ver um aumento de 1,4 milhão de menores sem acesso aos estudos.

A análise constata que 28 países devem perder pelo menos um quarto da assistência educacional da qual dependem para o ensino pré-escolar, fundamental e médio.

Entre eles, Côte D’Ivoire e Mali enfrentam alguns dos maiores riscos, com potencial queda de 4% nas matrículas, o equivalente a 340 mil e 180 mil alunos, respectivamente.

Espera-se que o ensino primário seja o mais afetado em todo o mundo, com o financiamento previsto para cair em um terço.

Quatro crianças refugiadas rohingya levantam as mãos em uma sala de aula de um centro de aprendizagem da Unicef em Cox's Bazar, Bangladesh.
Unicef Patrick Brown Crianças levantam as mãos para responder a uma pergunta em sala de aula em um espaço de aprendizagem da Unicef em Cox's Bazar, Bangladesh, em 8 de julho de 2019

Crianças vulneráveis e tráfico

Em contextos humanitários, onde a educação vai além do aprendizado, oferecendo apoio vital, estabilidade e uma sensação de normalidade para crianças traumatizadas, o financiamento pode cair drasticamente.

Em alguns casos, reduções representam o equivalente a pelo menos 10% do orçamento nacional para a educação. Por exemplo, nos projetos do Unicef voltados para os refugiados Rohingya, 350 mil crianças correm o risco de perder o acesso à educação básica permanentemente.

Sem financiamento urgente, os centros educacionais podem fechar, deixando as crianças vulneráveis ​​à exploração, ao trabalho infantil e ao tráfico.

Alimentação escolar sob risco

Em serviços essenciais, como programas de alimentação escolar, às vezes, a única refeição nutritiva do dia para uma criança, podem ter seu financiamento reduzido em mais da metade.

O apoio à educação de meninas também deve diminuir significativamente.

O Unicef pede que os países doadores e parceiros tomem uma atitude para defender o ensino.

Algumas medidas propostas no relatório são proteger o financiamento da educação humanitária, simplificar a arquitetura de financiamento global e concentrar esforços no ensino infantil e fundamental.