Perspectiva Global Reportagens Humanas

Execuções de 3,5 pessoas por dia, desde janeiro, no Irã, preocupam ONU BR

Crianças brincam em Zayandeh Roud, Isfahan, Irã. (arquivo)
ONU
Crianças brincam em Zayandeh Roud, Isfahan, Irã. (arquivo)

Execuções de 3,5 pessoas por dia, desde janeiro, no Irã, preocupam ONU

Direitos humanos

Informações foram coletadas pelo Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos; somente em julho, houve 110 execuções, mais que o dobro do número de pessoas mortas no mesmo período do ano passado.

As autoridades do Irã executaram pelo menos 841 pessoas desde o início deste ano até 28 de agosto. A informação é do Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos, com sede em Genebra.

O país ignorou vários apelos em todo o mundo para abolir a pena de morte, realizando as execuções em uma média de 3,5 pessoas por dia.

Minorias étnicas e estrangeiros

Somente em julho, foram 110 aplicações da pena de morte, mais do que o dobro de execuções no mesmo período do ano passado.

O Escritório da ONU afirma que o alto número de mortes pela pena capital revela um padrão sistêmico de utilização da sentença como um meio de intimidação pelo Estado iraniano. E as maiores vítimas são minorias étnicas e migrantes.

No momento, existem 11 pessoas no corredor da morte. Seis foram acusadas de “rebelião armada” por causa de alegações de associação com o grupo de Mojahedin-e-Khalq, MEK.  Cinco estariam condenadas à morte por terem participado de protestos de rua em 2022, quando a jovem Mahsa Amini, de 22 anos, foi presa e morta sob custódia do Estado iraniano por não estar usando corretamente o véu islâmico.

Sede do Escritório de Direitos Humanos, em Genebra
UN Photo/Jean-Marc Ferré
Sede do Escritório de Direitos Humanos, em Genebra

No último dia 16, a Suprema Corte confirmou a pena de morte contra uma ativista dos direitos dos trabalhadores Sharifeh Mohammadi, de 45 anos.

A pena de morte é incompatível com o direito à vida. Não existe espaço para execuções num contexto de dignidade humana. Além disso, a prática cria um risco inaceitável para pessoas inocentes que podem ser condenadas por engano.

A ONU afirma que a pena de morte jamais pode ser imposta para condutas protegidas pelos direitos humanos internacionais.

O alto comissário para Direitos Humanos, Volker Turk, pediu ao governo do Irã que declare moratória da pena de morte a caminho de sua abolição no país, e que retire todas as pessoas condenadas do corredor da morte.