Perspectiva Global Reportagens Humanas

Ataques a funcionários humanitários revelam apatia e falta de ação internacionais BR

Tom Fletcher, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, discursa na Cerimônia de Comemoração do Dia Mundial Humanitário de 2025 em Genebra
ONU/Violaine Martin
Tom Fletcher, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, discursa na Cerimônia de Comemoração do Dia Mundial Humanitário de 2025 em Genebra

Ataques a funcionários humanitários revelam apatia e falta de ação internacionais

Ajuda humanitária

No ano passado, foram mortos 383 trabalhadores em serviço, em 20 países; outros 308 funcionários ficaram feridos na violência; 125 humanitários foram sequestrados e 45 detidos.

As Nações Unidas revelaram que, somente no ano passado, houve um recorde de 383 trabalhadores humanitários mortos em 20 países. A organização destaca que muitos desses óbitos resultaram de ataques deliberados.

Para o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, o aumento do tipo de agressão é “uma vergonhosa denúncia da falta de ação e apatia internacionais”.

A funcionária da ONU Mulheres conversa com mulheres em Kassala, Sudão. Em 2024, 60 trabalhadores humanitárias perderam a vida no país
ONU Mulheres
A funcionária da ONU Mulheres conversa com mulheres em Kassala, Sudão. Em 2024, 60 trabalhadores humanitárias perderam a vida no país

Dia Mundial Humanitário

Nesta terça-feira, quando a ONU marca o Dia Mundial Humanitário, ele alertou que o número de ataques este ano já preocupa. Em 2024, o aumento de mortes foi de 31% se comparado a 2023.

Os dados destacam a situação “impulsionada pelos conflitos implacáveis”. Em Gaza, 181 trabalhadores humanitários mortos, o local é seguido pelo Sudão, onde 60 perderam a vida.

De acordo com as Nações Unidas, grupos estatais aparecem como autores mais frequentes dos assassinatos em 2024. A maioria dos funcionários locais foi atacada em serviço ou quando já havia chegado à casa.

Uma funcionária da Unrwa carrega um menino em Gaza
UNRWA
Uma funcionária da Unrwa carrega um menino em Gaza

Poder e influência

Ainda em 2024, 308 trabalhadores humanitários ficaram feridos. Até 125 foram sequestrados e 45 detidos. Para Fletcher, um único ataque a um funcionário humanitário é um ataque a todo o movimento de auxílio e às pessoas a quem o trabalhador ou trabalhadora serve.

Ele exigiu ação internacional  para os que tenham poder e influência ajam pela humanidade, protejam civis e trabalhadores humanitários e responsabilizem os autores desses atos.

Tom Fletcher reiterou que os ataques a trabalhadores humanitários e ao tipo de operações violam o direito internacional humanitário e afetam os meios de subsistência sustentando milhões de pessoas presas em zonas de guerra e desastres.