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Alto comissário da ONU deplora lei de anistia no Peru para quem violou direitos humanos BR

Vista aérea da paisagem urbana de Lima, no Peru, em um dia nublado, mostrando uma rodovia movimentada e uma mistura de arranha-céus modernos e edifícios residenciais.
Banco Mundial/Franz Mahr Lima, a capital do Peru. Nova legislação do país concede anistia a membros das forças de segurança, forças armadas e comitês de autodefesa por crimes cometidos durante 1980 e 2000

Alto comissário da ONU deplora lei de anistia no Peru para quem violou direitos humanos

Direitos humanos

Volker Turk diz que legislação é uma “afronta a milhares de vítimas” de graves violações e chama a medida de retrocesso que leva à impunidade; centenas de membros das Forças Armadas peruanas, policiais e comitês de autodefesa devem se beneficiar de crimes cometidos entre 1980 e 2000.

Uma lei de anistia que viola os padrões internacionais e representa um retrocesso na busca por justiça pelas graves violações de direitos humanos cometidas durante o conflito armado interno do Peru contra rebeldes maoístas.

Foi assim que o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, descreveu a lei sancionada pela presidente peruana Dina Boluarte, na quarta-feira.

“Afronta às vítimas”

Centenas de casos, tanto os concluídos, como os que estão em trâmite, serão afetados pela nova legislação, que concede anistia a membros das forças de segurança, forças armadas e comitês de autodefesa por crimes cometidos durante  1980 e 2000.

Em nota, o alto comissário da ONU afirmou estar triste com a medida, que pare ele representa uma “afronta às milhares de vítimas que merecem verdade, justiça, reparações e garantias”, sem impunidade.

Volker Turk lembrou que o direito internacional, ao qual o Peru está vinculado, proíbe claramente anistias e prescrição para violações graves de direitos humanos e do direito internacional humanitário”.

Reconciliação e justiça

Ele declarou que a decisão deve ser revertida imediatamente.

Segundo agências de notícias, a nova lei foi aprovada pelo Congresso peruano em julho. Pela natureza controversa da medida, o caso foi parar na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que instruiu a suspensão da lei à espera de uma avaliação do impacto sobre as vítimas.

O Peru viveu entre as décadas de 1980 e 2000, um conflito que deixou dezenas de milhares de mortos e mais de 20 mil desaparecimentos nos confrontos travados por movimentos rebeldes como Sendero Luminoso e Tupac Amaru.

Em 2024, o país decidiu impor estatutos de limitação para crimes contra a humanidade cometidos antes de 2002.