Perspectiva Global Reportagens Humanas

Pesquisa da OMS aborda crises migratórias dos profissionais de saúde

Agentes trabalham em campanhas de vacinação
© WHO/Junior D. Kannah
Agentes trabalham em campanhas de vacinação

Pesquisa da OMS aborda crises migratórias dos profissionais de saúde

Saúde

Especialistas da África participam na consulta virtual analisando casos mistos de dever e ambição; ideia é atualizar Código de Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde, adotado há 15 anos; famílias africanas merecem cuidados de qualidade prestados por profissionais que permanecem no continente.

Amatijane Candé*

O Escritório Regional da Organização Mundial de Saúde para África lança consultas nos 47 estados membros em meio à revisão do Código Global de Práticas da OMS para o Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde.

O Código, adotado em 2010, garante equidade ao recrutamento destes técnicos além fronteiras. 

Prioridades regionais

A África quer liderar a conversa porque conhece bem o custo humano da migração de profissionais de saúde e está pronta para traçar um novo caminho.

Espera-se que a consulta reforce a eficácia do Código no tratamento dos desafios atuais e emergentes dos profissionais de saúde, construa consensos sobre as prioridades e peculiaridades regionais e garanta que a voz do continente seja tida em conta no Conselho Executivo da OMS.

Agente trabalha na imunização contra Covid19
WHO

A diretora de Sistemas e Serviços de Saúde do Escritório Regional da OMS para África apontou que as consultas são uma oportunidade de garantir que o Código reflita suas realidades e prioridades regionais.

Reforma política

Para Adelheid Werimo Onyango, o objetivo é fazer do Código um instrumento vivo e acionável que oriente o recrutamento internacional de forma a fortalecer os sistemas de saúde africanos.

Os países esperam que o Código revisto vá além dos princípios e ofereça orientações aplicáveis, especialmente face ao recrutamento internacional agressivo. O cerne das consultas, não seja apenas a reforma política, mas sim as pessoas.

Que os hospitais não percam enfermeiros para os recrutadores estrangeiros, as clínicas não estejam com falta de pessoal e os jovens recém-licenciados em medicina não enfrentem o dilema de se manterem ao serviço ou de partirem em busca de melhores salários.

O líder da Equipa de Força de Trabalho em Saúde do Escritório para África da OMS, James Avoka Asamani enfatizou a importância do feedback notando que através das recomendações e sugestões, os participantes estabelecem uma base sólida para uma força de trabalho mais forte e equitativa na região.

Fazer mais com menos

Segundo relatos, há clínicas vazias em distritos rurais, médicos, especialistas de laboratório e enfermeiros experientes partem de um dia a outro para contratos na Europa ou no Golfo e de sistemas sobrecarregados a tentar fazer mais com menos.

Da Praia, em Cabo Verde, a Port Louis, nas Ilhas Maurício, governos e profissionais de saúde soam o alarme.

Sudan, estado de Gedaref
© WHO/Lindsay Mackenzie

A África está a perder muitos dos seus profissionais de saúde qualificados para a migração internacional.

Gestão eficaz

Os paises africanos pagam o custo do disparo da procura global de profissionais de saúde desde o fim da pandemia de Covid-19.

Os participantes mencionaram igualmente à Carta de Investimento na Força de Trabalho em Saúde em África. 

O documento reconhece que a gestão eficaz da migração é vital para lidar com o défice iminente de 6,1 milhões de profissionais de saúde na região até 2030.

*Amatijane Candé, correspondente da ONU News em Bissau, com informações da OMS África.