Pedido urgente de doações quer financiar retorno de deslocados no Sudão
Comunidade humanitária precisa de meios para entregar ajuda em larga escala; plano quer restaurar presença total das Nações Unidas em Darfur; eliminar a cólera é um dos maiores alvos de agências humanitárias.
Até 1,3 milhão de deslocados internos regressaram à casa no Sudão na sequência da crise gerada pelo conflito. O retorno acontece para espaços onde as comunidades foram arrasadas, serviços entraram em colapso e condições se encontram inseguras.
O apoio a estas famílias e os alertas sobre as crescentes necessidades são dados pelo Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU, Cerf, e pelo Fundo Humanitário do Sudão.
Darfur do Norte
Uma das áreas preocupantes é a de El Fasher, no estado de Darfur do Norte. A comunidade humanitária fala de um ambiente de pressão por uma pausa humanitária para acelerar a chegada de ajuda em larga escala e pelo retorno da presença total das Nações Unidas.
O Escritório de Assistência Humanitária, Ocha, adverte que as necessidades na área do país derivam de situações como insegurança, doenças, fome, inundações e deslocamentos.
Em El Fasher, bombardeios esporádicos causam grande instabilidade. Os civis sofrem o impacto dos recentes confrontos entre grupos armados e o grande número de famílias isoladas torna essa área “um dos centros urbanos mais sitiados”.
Na capital do estado, Darfur, a cólera continua a se espalhar. Em Darfur do Norte, a comunidade humanitária relatou 3,6 mil casos desde o final de junho. Já no Sul, foram registrados mais de 1,2 mil casos suspeitos e 69 mortes pela doença.
Surto de cólera
A ONU e parceiros dizem que a subnotificação disfarça a verdadeira dimensão do surto. Para essas entidades, apesar de haver resposta ao surto, o acesso limitado a água potável, saneamento e suprimentos médicos está agravando a crise.
As necessidades nutricionais do país estão aumentando rapidamente. Algumas pesquisas ilustram taxas globais de desnutrição aguda acima dos limites de emergência em todas as áreas pesquisadas de Darfur do Norte.
Necessidade de fundos urgentes
Dados ilustrando incidências de malnutrição grave apontam 34% na localidade de Mellit e quase 30% em At Tawaisha ressaltando “uma piora alarmante, não apenas em zonas de risco de fome, mas também em regiões mais amplas afetadas por conflitos”.
A comunidade humanitária oferece serviços terapêuticos ambulatoriais e planeja criar centros de estabilização em áreas gravemente afetadas. Para se atingir esse propósito é preciso fundos urgentes para sustentar e expandir esse trabalho.
Outro apelo do Ocha é que todas as partes permitam o acesso humanitário em todo o país e que “os doadores ampliem o financiamento para atender às crescentes necessidades humanitárias do Sudão”.