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Vista aérea de uma baía na Antártida, mostrando uma península coberta de neve e inúmeros icebergs flutuando nas águas azuis.

Busca de acordo global para combater a crise de plásticos envolve 179 países BR

© IAEA/Martin Klingenboeck Microplásticos poluindo Antártica

Busca de acordo global para combater a crise de plásticos envolve 179 países

Clima e Meio Ambiente

Genebra abriga discussões com 618 organizações observadoras; entidades formadas por cientistas, ambientalistas e representantes da indústria participam de encontro de 10 dias para combater crise de resíduos e seu impacto.

Começam, neste 5 de agosto, em Genebra, as negociações para finalizar um tratado global de combate à crise de resíduos plásticos e seu impacto na saúde humana, na vida marinha e na economia.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, defende que se um acordo internacional não for firmado a poluição plástica poderá triplicar até 2060 causando danos significativos, inclusive à saúde humana.

Instrumento internacional juridicamente vinculativo

As primeiras negociações surgiram após uma decisão tomada em 2022 pelos Estados-membros. A previsão era que, em até dois anos de reuniões, fosse criado um instrumento internacional juridicamente vinculativo pelo fim da crise plástica, inclusive no ambiente marinho.

Um menino deslocado no norte de Gaza recolhe plástico e sucata de uma pilha de lixo para vender e comprar combustível.
© Unicef/Mohammed Nateel Objetivo do acordo é abranger todo o ciclo de vida dos plásticos

A substância está presente em produtos descartáveis desde em canudos, copos e misturadores, até sacolas plásticas e cosméticos contendo microesferas que acabam em oceanos e aterros sanitários.

Petróleo bruto e gás natural

Os defensores compararam o possível tratado ao Acordo Climático de Paris em termos de importância.

Para eles, existe uma “suposta pressão exercida contra o acordo pelos Estados, cujo petróleo bruto e gás natural fornecem os componentes básicos dos plásticos.

A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, disse que não basta a reciclagem para sair da crise da poluição plástica, mas sim “uma transformação sistêmica para alcançar a transição para uma economia circular.”

O objetivo do acordo é abranger todo o ciclo de vida dos plásticos, desde o design até a produção e o descarte.

A meta é promover uma economia circular do plástico e evitar o vazamento de produtos com a substância no meio ambiente, segundo o texto que orienta as negociações do Comitê Intergovernamental de Negociação.

Produtos de higiene pessoal em um suporte para chuveiro no banheiro.
ONU News/ Elena Vapnitchnaia Substância está presente em produtos descartáveis desde em canudos, copos e misturadores, até sacolas plásticas e cosméticos

Com 22 páginas, o documento do INC contém 32 rascunhos de artigos em discussão linha por linha. O texto foi elaborado para moldar o futuro instrumento jurídico e servirá como ponto de partida para as negociações.

Delegações de 179 países

No período entre 5 e 14 de agosto, as delegações de 179 países devem analisar o documento com outros mais de 1,9 mil participantes de 618 organizações observadoras, incluindo cientistas, ambientalistas e representantes da indústria.

A reunião deverá compartilhar formas já verificadas e comprovadas de reduzir o uso de plástico, como substitutos não plásticos e alternativas mais seguras.

Antes das sessões, a revista especializada The Lancet publicou um alerta alertando que os materiais usados nos plásticos causam um grupo amplo de doenças “em todas as fases do ciclo de vida do plástico e em todas as fases da vida humana”.

Mais de 20 especialistas em saúde citados no texto defendem que bebês e crianças pequenas são particularmente vulneráveis.

Perigo grave, crescente e pouco reconhecido

A publicação alerta para o perigo grave, crescente e pouco reconhecido dos plásticos para a saúde humana e planetária ao gerar “perdas econômicas relacionadas à saúde que excedem US$ 1,5 trilhão anualmente”.

Trabalhadores separam o plástico dos resíduos biodegradáveis ​​na unidade de gestão de resíduos sólidos em Nagrakata, Jalpaiguri, Bengala Ocidental.
© Unicef/Subrata Biswas

As negociações em Genebra são lideradas pela secretária executiva do Comitê Intergovernamental de Negociação, INC, Jyoti Mathur-Filipp.

Para ela, cabe aos Estados-membros chegar a um consenso e compromisso para gerar um instrumento que seja impactante e permita um maior desenvolvimento em linha com as demandas do mundo.

Jyoti Mathur-Filipp acredita que o que importa é manter o foco no objetivo de garantir um futuro livre de poluição plástica que permita que todos prosperem.

Com o início dos trabalhos do INC-5.2, o apelo a todas as nações é para que ouçam as vozes das partes interessadas e criem um instrumento, para e influenciado pelas pessoas, que ajude a concretizar o direito amplo a um ambiente seguro e saudável.