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Comércio global de plástico ultrapassou US$ 1,1 trilhão em 2023 BR

Produção de plástico totalizou 436 milhões de toneladas em 2023
Muhammad Faisal
Produção de plástico totalizou 436 milhões de toneladas em 2023

Comércio global de plástico ultrapassou US$ 1,1 trilhão em 2023

Clima e Meio Ambiente

Estudo da ONU Comércio e Desenvolvimento revela que 75% desse total foram resíduos; proposta de reformas tarifárias e políticas não regulatórias acompanham início de negociações de duas semanas para criação de um tratado sobre poluição plástica. 

Um novo relatório sugere medidas para reduzir os fluxos de plástico e a poluição em vésperas do início da segunda fase da 5ª sessão do Comitê Intergovernamental de Negociação para criação de um tratado sobre o tema em Genebra, Suíça. 

A proposta inclui reformas tarifárias e políticas não regulatórias para impulsionar a adoção de alternativas sustentáveis do plástico, investimentos em gestão de resíduos e infraestrutura circular. 

Alternativas naturais aos plásticos 

Pelos cálculos da ONU Comércio e Desenvolvimento, Unctad, o comércio global de plástico ultrapassou US$ 1,1 trilhão em 2023, sendo 75% resíduos. Já as trocas mundiais de alternativas naturais aos plásticos atingiram US$ 485 bilhões. 

Os recursos propostos incluem ferramentas digitais para rastrear e cumprir normas alfandegarias que se adaptem a políticas da Organização Mundial do Comércio, da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, da Convenção de Basileia e outras estruturas regionais. 

Cerca de 98% dos plásticos derivam de combustíveis fósseis
© Ocean Image Bank/Sören Funk
Cerca de 98% dos plásticos derivam de combustíveis fósseis

 

O relatório ressalta que esse crescente desequilíbrio ameaça a saúde pública, os sistemas alimentares, os ecossistemas e o desenvolvimento a longo prazo, especialmente em pequenas nações insulares e costeiras. 

Em nível global, a produção de plástico totalizou 436 milhões de toneladas em 2023. As tarifas médias da Nação Mais Favorecida, NMF, sobre produtos de plástico e borracha caíram de 34% para 7,2% nas últimas três décadas, tornando os plásticos à base de combustíveis fósseis que seriam “artificialmente” baratos. 

Inovação nos países em desenvolvimento 

Por outro lado, as alternativas como papel, bambu, fibras naturais e algas marinhas enfrentam tarifas médias da NMF de 14,4%. 

Para a Unctad, tais disparidades no tratamento dos materiais desestimulam o investimento em produtos alternativos e dificultam a inovação nos países em desenvolvimento que buscam exportar alternativas mais seguras e sustentáveis aos plásticos à base de combustíveis fósseis.” 

Relatório ressalta ameaça a saúde pública, aos sistemas alimentares, aos ecossistemas e ao desenvolvimento
OIM
Relatório ressalta ameaça a saúde pública, aos sistemas alimentares, aos ecossistemas e ao desenvolvimento

Mesmo estando os plásticos associados diretamente à tripla crise planetária, que inclui poluição, perda de biodiversidade e mudanças climáticas, nenhum tratado internacional abrangente rege a composição, design, produção, comércio e descarte. 

A agência ressalta que com 98% dos plásticos derivados de combustíveis fósseis, espera-se que as emissões e os danos ambientais aumentem se não houver uma ação multilateral coordenada.  

O comunicado relembra que os esforços para abordar essas questões têm sido fragmentados e incrementais desde o final da década de 1980. 

Fluxo de plásticos perigosos 

Apesar de vários países estarem limitando o fluxo de plásticos perigosos por meio de medidas não tarifárias, como padrões de produtos, regulamentações de rotulagem e proibições, há inconsistência entre esses padrões.  

Essa contradição “atrasa o comércio de produtos mais seguros e sustentáveis, ao mesmo tempo em que aumenta os custos de conformidade”. 

Pequenas empresas e exportadores de baixa renda frequentemente encontram dificuldades para cumprir regulamentações conflitantes ou sobrepostas, o que restringe sua capacidade de ajudar no avanço de países em desenvolvimento. 

Esse grupo de economias teve uma alta anual de 5,6% em 2023 no comércio global de substitutos naturais não plásticos em meio a dificuldades como altas tarifas, acesso limitado ao mercado e incentivos regulatórios fracos.