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ONU preocupada com fluxo massivo de pessoas retornando ao Afeganistão BR

Os retornados afegãos enfrentam instabilidade numa nação que já enfrenta crises graves
Unama Os retornados afegãos enfrentam instabilidade numa nação que já enfrenta crises graves

ONU preocupada com fluxo massivo de pessoas retornando ao Afeganistão

Migrantes e refugiados

Mais de 1,3 milhão voltaram para casa este ano sobrecarregando comunidades e sistemas de apoio; representante das Nações Unidas pede mobilização internacional para aumentar ajuda, impedir retornos desordenados e involuntários e prevenir ressurgimento de conflitos.

A representante especial do secretário-geral para o Afeganistão, Roza Otunbayeva, pediu o apoio internacional urgente para lidar com o que chama de “impressionante fluxo diário de milhares de afegãos” que retornam à casa.

Segundo ela, essa é uma responsabilidade compartilhada e “o custo da falta de ação será medido em vidas perdidas e o ressurgimento de conflitos".

Sistemas de apoio sobrecarregados

Mais de 1,3 milhão de afegãos retornaram este ano, sobrecarregando comunidades em um país onde 70% das pessoas já estão vivendo na pobreza.

Apesar dos esforços da ONU, de autoridades locais e de uma poderosa manifestação pública de apoio aos retornados, o ritmo e a escala dos fluxos estão sobrecarregando o país.

Roza Otunbayeva afirmou que o que deveria ser um momento positivo de volta ao lar se tornou um momento “marcado por exaustão, trauma e profunda incerteza".

A representante da ONU se reuniu com famílias recém-chegadas, parceiros de assistência e autoridades regionais de facto.

A família, originalmente de Badakhshan, retornou do Irã após anos de migração indocumentada devido a dificuldades econômicas. Eles agora estão sem abrigo e lutando para sobreviver, com necessidades urgentes de fraldas, moradia e apoio financeiro.
Unicef/Osman Khayyam Uma menina de cinco anos senta-se com a mãe e os irmãos em uma barraca na fronteira de Islam Qala

Crise humanitária crônica

Ela explicou que o grande volume de retornos, muitos deles abruptos e involuntários, em um país, que está lutando contra a seca e uma crise humanitária “crônica”, requer mais solidariedade internacional. Para Otunbayeva, o Afeganistão “não pode absorver esse choque sozinho".

A ONU acredita que o diálogo regional, inclusive com Irã, Paquistão e Estados da Ásia Central, deve ser priorizado para deter os retornos desordenados e defender o princípio da repatriação voluntária, digna e segura.

Mulheres e crianças enfrentam os riscos mais graves, considerando não apenas as dificuldades econômicas, mas também um contexto em que o acesso a serviços básicos e proteções sociais permanece severamente restrito.

As operações humanitárias estão extremamente subfinanciadas, forçando escolhas impossíveis entre prover entre comida, abrigo ou passagem segura.

Riscos para a estabilidade regional

Roza Otunbayeva também ressaltou a importância da assistência imediata para reintegração. Segundo ela, as comunidades de retorno precisam de programas urgentes de subsistência e investimentos em infraestrutura.

Sem intervenções rápidas, haverá riscos de consequências arrasadoras. Com o retorno, o Afeganistão perde remessas dos migrantes, existem ainda pressões sobre o mercado de trabalho, o que pode levar à desestabilização dos afegãos que voltam e daqueles que os acolhem.

A alta funcionária da ONU pediu aos doadores, parceiros e governos regionais que não se afastem nem abandonem os afegãos que retornam.

As Nações Unidas no Afeganistão estão pedindo uma abordagem integrada que financie as necessidades humanitárias e, ao mesmo tempo, amplie a assistência nas áreas de retorno.