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Fórum político sobre desenvolvimento debate trabalho decente e proteção marinha BR

Makendy, um refugiado do Haiti, foi transferido através do Programa de Integração Local do Acnur para Aguascalientes, onde conseguiu um emprego numa fábrica de peças de automóveis.
Acnur/Jeoffrey Guillemard
Makendy, um refugiado do Haiti, foi transferido através do Programa de Integração Local do Acnur para Aguascalientes, onde conseguiu um emprego numa fábrica de peças de automóveis.

Fórum político sobre desenvolvimento debate trabalho decente e proteção marinha

Por Felipe de Carvalho*
Desenvolvimento econômico

Terceiro dia de evento, na sede da ONU, busca formas de reverter retrocessos em emprego juvenil, informalidade e trabalho infantil; instituições de Portugal realizam encontro especial sobre ampliação de áreas de proteção marinha e economia azul. 

O Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável destaca, nesta quarta-feira, a meta de garantir trabalho decente para todos. Essa é considerada uma das áreas mais deficitárias da Agenda 2030.

Embora alguns avanços tenham sido observados, incluindo maior acesso a serviços financeiros, o progresso estagnou ou regrediu em áreas críticas, como emprego juvenil, informalidade e combate ao trabalho infantil.

Planejamento econômico

Segundo a ONU, a erosão do trabalho decente é sintomática e reflete desafios estruturais como volatilidade macroeconômica, desigualdade, choques climáticos, fragmentação geopolítica e transformação digital.

O Fórum reúne especialistas e representantes dos países para examinar como as políticas nacionais podem ser realinhadas para colocar o trabalho decente no centro do planejamento econômico.

Os participantes discutirão estratégias práticas para formalizar o trabalho informal, financiar a proteção social, incorporar padrões dignos nas transições verde e digital e fortalecer os sistemas de dados para monitorar os direitos trabalhistas.

Nesta quarta-feira, o Fórum também traz uma sessão especial sobre consumo e produção sustentáveis.

Um leão-marinho nada perto de uma estrela-do-mar na costa do México
Ocean Image Bank/Hannes Klost
Um leão-marinho nada perto de uma estrela-do-mar na costa do México

Proteção marinha

Já para abordar os desafios ligados ao oceano, será realizado um evento especial sobre a proteção dos mares por meio da inovação e da educação.

A atividade é organizada pela Fundação Oceano Azul, de Portugal, e pelo Oceanário de Lisboa. O objetivo é contribuir com a meta de ampliar para 30%, até 2030, as partes do oceano designadas como Áreas de Proteção Marinha.

Atualmente, menos de 9% dos mares têm esse status, e menos de 3% conta com proteção efetiva.

O evento vai debater como os esforços de conservação devem ser acompanhados por uma mudança profunda na forma como os recursos oceânicos são utilizados.

A transição para uma economia azul sustentável, baseada em práticas regenerativas e biotecnologia, será um tema central nos debates, visando a saúde dos oceanos e a descarbonização global.

Dentre as soluções, será apresentado o Programa de Bolsas para o Oceano da ONU-Portugal. Ele foi criado para fortalecer a capacidade de liderança de países em desenvolvimento, em particular dos Pequenos Estados-Ilhas, Sids. 

Na sexta-feira, Angola apresenta sua Revisão Nacional Voluntária sobre o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, com a participação da ministra de Estado para Área Social, Maria do Rosário Bragança.

*Felipe de Carvalho é redator da ONU News Português