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Novo estudo do Banco Mundial para o Brasil defende políticas sobre equilíbrio fiscal e ambiental BR

Termômetro marcando 39 graus na região da Praça da Sé, em São Paulo
Agência Brasil/Paulo Pinto
Termômetro marcando 39 graus na região da Praça da Sé, em São Paulo

Novo estudo do Banco Mundial para o Brasil defende políticas sobre equilíbrio fiscal e ambiental

Por Mariana Ceratti*
Desenvolvimento econômico

Especialista recomenda políticas fiscais verdes e de revisitar vinculação do salário mínimo; desafios na questão ambiental e climática foram mencionados como alguns dos desafios.

Um novo estudo do Banco Mundial defende políticas que podem resultar numa melhora do equilíbrio fiscal de mais de 5% do Produto Interno Bruto, PIB, ao mesmo tempo em que enfrentam desafios ambientais urgentes e ajudam a gerar empregos.

O relatório, chamado “Dois por Um: Políticas para Atingir Sustentabilidade Fiscal e Ambiental", é o tema desta conversa em vídeo entre o economista sênior Cornelius Fleischhaker, do Banco Mundial, e a economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics.

O economista sênior Cornelius Fleischhaker, do Banco Mundial
Banco Mundial/Mariana Ceratti
O economista sênior Cornelius Fleischhaker, do Banco Mundial

Políticas fiscais verdes

“É preciso um ajuste fiscal substancial para o Brasil controlar a relação entre dívida e PIB. Esse ajuste, nos nossos cálculos, está na ordem de 3% do PIB, que é muita coisa. Mas a gente também aponta que as políticas fiscais verdes poderiam fazer uma contribuição muito relevante a esse ajuste”, disse Cornelius.

Na visão do economista sênior, é crucial enfrentar problemas estruturais, como a pressão dos regimes previdenciários e a vinculação do salário-mínimo aos benefícios de aposentadoria. Ele argumentou que essa vinculação gera uma dinâmica problemática nas despesas públicas, aumentando automaticamente os gastos com previdência a cada ano, o que exige revisões urgentes para garantir a sustentabilidade fiscal.

Monica de Bolle também sublinhou a necessidade de revisitar a vinculação do salário mínimo de modo a permitir que o Brasil crie espaço fiscal para enfrentar os desafios climáticos.

Fachada do INSS, em Brasília
Agência Brasil/Fabio Rodrigues-Pozzebom
Fachada do INSS, em Brasília

Transição para economia de baixo carbono

“Com os gastos crescendo nesse ritmo a cada ano, acaba-se tendo pouco espaço para fazer políticas públicas. E o país, assim como outros, tem, no momento, um desafio muito grande na questão ambiental e na questão climática”, comentou.

Publicaremos, em breve, as partes 2 e 3 desta conversa, desta vez abordando a reforma do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e a transição para uma economia de baixo carbono.

*Por Mariana Ceratti é correspondente da ONU News no Banco Mundial Brasil