Perspectiva Global Reportagens Humanas
Pedestres, ciclistas e outros usuários das vias enfrentam um maior risco de morte nas estradas

No Brasil, enviado da ONU promoverá campanha global de segurança no trânsito  BR

© Unsplash/Javier de la Maza
Pedestres, ciclistas e outros usuários das vias enfrentam um maior risco de morte nas estradas

No Brasil, enviado da ONU promoverá campanha global de segurança no trânsito 

Assuntos da ONU

Jean Todt incentivará maior segurança viária; se reunirá com representantes de diferentes setores; cerca de 1,19 milhão de mortes anuais nas estradas do mundo equivale à população total de Campinas. 

O enviado especial do secretário-geral da ONU para Segurança no Trânsito visita nesta semana o Brasil como parte de uma viagem oficial pela América Latina para lançar a Campanha Global de Segurança no Trânsito da organização. 

México, Guatemala, Panamá e Colômbia também acolhem eventos da iniciativa global #MakeASafetyStatement ou faça da segurança uma marca, em tradução livre. 

Pedestres, ciclistas e motociclistas 

Estima-se que a região tenha uma taxa de mortalidade de 15,7 por cada 100 mil habitantes. Pedestres, ciclistas e motociclistas representam cerca de 61% de todas as mortes em acidentes. 

Para a ONU, o aumento notável nas mortes relacionadas a motocicletas observado nos últimos anos exige esforços acrescidos para reforçar o uso de capacetes adequados, segundo as normas da organização.  

Jean Todt estimula a adoção de medidas urgentes para garantir estradas seguras para todos
ONU/Mark Garten
Jean Todt estimula a adoção de medidas urgentes para garantir estradas seguras para todos

As Nações Unidas apontam a segurança no trânsito como um dos principais desafios, com o impacto econômico dos acidentes de cerca de 5% do Produto Interno Bruto, PIB. Esse é um contexto para repensar a mobilidade e investir nesse campo. 

O Plano Nacional de Segurança Rodoviária prevê baixar pela metade o número de mortes até 2028. Nesse rumo existem leis sobre uso de capacete, sistemas de retenção para crianças, velocidade, direção sob efeito de álcool e drogas, proibição de celulares e outras. 

Passageiros do banco traseiro 

Entre as lacunas na aplicação da lei destacam-se questões especialmente em relação à velocidade e ao uso do cinto de segurança entre os passageiros do banco traseiro. 

Nas Américas, Jean Todt promoverá iniciativas de segurança viária e defenderá medidas mais eficazes nesse sentido com representantes governamentais, da comunidade internacional, líderes dos setores público e privado e da sociedade civil. 

Os acidentes de trânsito na região mataram mais de 145 mil pessoas em 2021, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. O total representa 12% das mortes no trânsito no mundo naquele ano. 

O tipo de fatalidade continua sendo a principal entre crianças e jovens de cinco a 29 anos em todo o mundo. Segundo o Banco Mundial, o custo dos acidentes de trânsito representa entre 3% e 6% do PIB na região. 

As mortes no trânsito nas Américas tiveram uma queda de 9,37% na década até 2021. Apesar de o progresso da região estar acima da queda global de 5% nas mortes no período, não chegará para atingir a meta global de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030. 

Componente essencial no desenvolvimento 

Para a América Latina, uma das regiões mais urbanizadas do mundo, a segurança no trânsito é considerada um componente essencial no desenvolvimento urbano e enfatiza a necessidade urgente de repensar a mobilidade e investir nessa área. 

Acidentes de trânsito nas Américas mataram mais de 145 mil pessoas em 2021
Opas

Entre as soluções estão reforçar a aplicação da lei, investir em educação e transporte público, aprimorar a infraestrutura viária e a segurança veicular, desenvolver ciclovias e vias para pedestres, especialmente ao redor de escolas. 

Outra é melhorar o atendimento pós-acidente fazem parte de um sistema de mobilidade seguro e eficiente. Além disso, mobilizar a liderança política é crucial para aumentar o financiamento e a ação. 

Brasil entre países-chave da campanha regional  

Um relatório da Bloomberg Philanthropies revelou que mais de 25 mil vidas poderiam ser salvas e evitados mais de 170 mil ferimentos graves até 2030 se as normas fossem aplicadas por quatro países-chave da região: Argentina, Chile, México e Brasil. 

Todt disse que o total de 1,19 milhão de mortes nas estradas do mundo equivale à população total de cidades como Monterrey, México, Guatemala ou Campinas, no Brasil o que considera uma loucura porque se sabe como impedir essa carnificina. 

A campanha estimula a adoção de medidas urgentes para garantir estradas seguras para todos, em todo o continente.