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Na ONU, ministra Anielle Franco diz que reparação para afrodescendentes é “inegociável” BR

Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial do Brasil, discursa na 1ª reunião plenária da quarta sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes
ONU/Manuel Elias Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial do Brasil, discursa na 1ª reunião plenária da quarta sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes

Na ONU, ministra Anielle Franco diz que reparação para afrodescendentes é “inegociável”

ODS

Chefe da pasta de Igualdade Racial no Brasil defendeu medidas sobre efeitos do racismo na democracia, na economia e na dignidade humana; abertura da 4ª Sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes abordou impacto da inteligência artificial na reprodução de desigualdades.

A sede das Nações Unidas em Nova Ioque acolhe esta semana a 4ª Sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes com o objetivo de debater a justiça reparatória na era da inteligência artificial.

O tema é motivado pelo risco das novas tecnologias reproduzirem desigualdades, prejudicando medidas de reparação pelos impactos históricos da escravidão e do colonialismo.

Reparação como “passo civilizatório”

Na sessão de abertura, nesta segunda-feira, a Ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco, disse que a reparação é uma agenda “inegociável”.

“Não é um favor. É um passo civilizatório. A reparação começa com o bem-viver de toda a nossa população. O tráfico transatlântico de africanos escravizados foi um crime contra a humanidade e precisa ser encarado com coragem. Estamos investindo em políticas de memória, verdade e reparação. E iniciativas de preservação de sítios históricos da escravidão e da resistência negra”.

Ela afirmou que o governo brasileiro propõe ainda a valorização dos saberes ancestrais das comunidades negras nos currículos escolares, na cultura e na ciência.

A ministra enfatizou que o Brasil criou e adotou voluntariamente um 18º Objetivo do Desenvolvimento Sustentável, em prol da igualdade étnico-racial, para colocar o combate ao racismo como pilar do desenvolvimento.

“É um avanço histórico e um reconhecimento de que a desigualdade racial corrói as bases da democracia, da economia e da dignidade humana”.

Inteligência artificial a serviço do discurso de ódio

Anielle Franco disse que a crescente presença da tecnologia e da inteligência Artificial na sociedade exige atenção para que funcionem como “ferramentas de inclusão e não de reprodução das desigualdades sócio raciais ”.

Já a vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, afirmou que o racismo está muito presente no ambiente digital e que a inteligência artificial serve de plataforma para exacerbar “expressões de violência, ódio e assédio racial”

Ela relatou que sofreu mais de 12 mil insultos nas redes sociais durante o primeiro ano de seu mandato e se considera um exemplo das violências às quais a juventude está exposta.

A ministra colombiana pediu a criação de um fundo global para reparação histórica e disse que a Colômbia está elaborando um plano que aborda os “danos e consequências do colonialismo, da escravidão e do racismo sistemático” no país.

Acesso igual a oportunidades

Também na abertura, o presidente da Assembleia Geral, Philémon Yang, saudou o início, em 2025, da segunda Década Internacional de Pessoas Afrodescendentes.

Ele afirmou que a inteligência artificial precisa ser governada de modo que garanta acesso equitativo a oportunidades, especialmente para mulheres e meninas afrodescendentes, de modo que possam prosperar na economia digital.

O chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, Courtenay Rattray, participou do evento e disse que que os legados do colonialismo e da escravidão continuam “a envenenar o mundo, com o racismo arruinando vidas e manchando sociedades”.

Ele ressaltou que o poder relacionado à inteligência artificial está “concentrado nas mãos de poucos” e muitas pessoas e comunidades são ainda incapazes de se beneficiar dela.

Para Rattray, o Fórum Permanente de Afrodescendentes existe para desafiar esse tipo de injustiça e demandar ação em todos os níveis, inclusive para impedir que a IA tenha um viés racial.

O representante da ONU afirmou que medidas de reparação precisam estar ancoradas nas leis internacionais de Direitos Humanos e na participação inclusiva e significativa de comunidades afetadas.