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Sem equidade, inteligência artificial pode aumentar desigualdades, diz Unctad BR

Cúpula Global Anual AI for Good 2024 da UIT, Genebra. Uso da inteligência artificial tem potencial para realizar avanços para os Objetivos de Desenvolvimento
ONU News/Anton Uspensky Cúpula Global Anual AI for Good 2024 da UIT, Genebra. Uso da inteligência artificial tem potencial para realizar avanços para os Objetivos de Desenvolvimento

Sem equidade, inteligência artificial pode aumentar desigualdades, diz Unctad

Desenvolvimento econômico

Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento divulgou relatório sobre tecnologia, inovação e inclusão; Brasil é citado por potencial; Estados Unidos e China concentram 33% de publicações sobre tema e 60% de patentes.

O uso da inteligência artificial tem potencial para realizar avanços para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável além de melhorar a produtividade e os meios de subsistência.

Mas sem gerenciamento ético e transparente, a nova tecnologia pode aumentar as desigualdades socioeconômicas.

IA concentrará 29% de mercado global em 2033

O alerta é da Agência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

No Relatório sobre Tecnologia e Inovação: inteligência artificial inclusiva para o desenvolvimento, divulgado na segunda-feira, a agência apresenta políticas de ciência e inovação para os países-membros com base num progresso equitativo e inclusivo.

A inteligência artificial, IA, deve gerar US$ 4,8 bilhões em 2033, um valor 25 vezes maior em apenas 10 anos. 

Em 2023, a nova tecnologia representava 7% do mercado mundial de tecnologia de ponta, mas em 2033 esta fatia será de 29%.

Uma mão humana estendendo-se para tocar o dedo de uma mão robótica contra um fundo rosa com padrões de placa de circuito e efeitos bokeh, simbolizando a interseção entre a humanidade e a inteligência artificial.
© Unsplash/Igor Omilaev Em 2021, a Unesco adotou a Recomendação sobre Ética da Inteligência Artificial, o primeiro instrumento normativo global sobre o tema

Apenas 100 empresas pagaram pesquisas

O relatório cita três pontos chaves: infraestrutura, dados e habilidades. Hoje, Estados Unidos e China concentram 60% de todas as patentes do setor e 33% das publicações sobre o tema no mundo.

E 40% das pesquisas sobre inteligência artificial foram financiadas por apenas 100 empresas em 2022. Nenhuma delas era de um país em desenvolvimento.

A secretária-geral da Unctad, Rebeca Grynspan, afirma que é preciso estabelecer um equilíbrio que possa levar a mais inclusão dos países e populações à IA, à medida que cresce o interesse sobre a nova tecnologia.

Com IA cria-se uma agricultura e redes energéticas mais inteligentes e eficientes. Pode-se melhorar também o planejamento urbano com cidades mais inclusivas.

Mas como a tecnologia avança mais rápido que as mudanças nas políticas governamentais, aumenta-se também o risco de desigualdades, divisões e perdas.

A nova tecnologia poderia afetar 40% de trabalhos em todo o mundo.

Brasil, Índia e Filipinas têm grande potencial

A Unctad vê grande potencial em países como Brasil, Índia e Filipinas.

Essas nações criaram grandes grupos de desenvolvedores e programadores. Nas Filipinas, a atividade cresceu 30% em apenas um ano de 2022 a 2023.

A ONU está atuando para fechar as lacunas de desigualdade com a promessa da implementação pelos países que firmaram o Pacto para o Futuro e o Pacto Digital Global com uma série de compromissos para melhorar a governança internacional da inteligência artificial beneficiando toda a humanidade.