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Entidades da ONU dizem que acordo entre Israel e Hezbollah é “ponto de partida”

Um grupo de pessoas em Beirute, no Líbano, descarrega grandes pacotes de ajuda humanitária envoltos em plástico de um caminhão. Um homem carrega um colchão com uma etiqueta do ACNUR no ombro, enquanto outros auxiliam na distribuição.
© Acnur/Houssam Hariri Unicef fala de um momento para traçar um rumo a seguir que priorize a segurança

Entidades da ONU dizem que acordo entre Israel e Hezbollah é “ponto de partida”

Paz e segurança

Coordenadora especial para o Líbano pede empenho total para que perdure o compromisso que entrou em vigor nesta quarta-feira; Unicef destaca oportunidade de cura de comunidades, reconstrução, priorizar segurança e bem-estar infantil. 

Nesta quarta-feira, várias entidades da ONU reagiram à entrada em vigor do acordo de cessar-fogo entre Israel-Hezbollah. 

Segundo agências de notícias, a pausa revelada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, “está sendo cumprida em grande parte” do Líbano após mais de um ano de ataques transfronteiriços e meses de confrontos que mataram milhares de pessoas.

Paralisação de 60 dias 

De acordo com os relatos das agências, o entendimento anunciado na terça-feira estipula uma paralisação de 60 dias nos confrontos como base para uma trégua duradoura. 

A fumaça resultante de um ataque com míssil sobe sobre o bairro de Haret Hreik, em Beirute, Líbano.
© Acnur/Ximena Borrazas Organizações humanitárias querem acesso seguro, oportuno e desimpedido ao Líbano

Durante o período, os integrantes do Hezbollah deverão recuar 40 km da fronteira com Israel, enquanto as forças terrestres israelenses devem se retirar do território libanês.

Horas depois do anúncio, o secretário-geral das Nações Unidas publicou uma nota destacando o dever das partes envolvidas de respeitar integralmente e implementar rapidamente os seus compromissos ao abrigo do acordo.

A coordenadora especial para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, destacou que o compromisso marca o “ponto de partida de um processo crítico, ancorado na implementação completa da resolução 1701” para restaurar a segurança que os civis de ambos os lados da Linha Azul merecem.

Compromisso total e inabalável

Para a enviada da ONU há ainda um trabalho considerável pela frente para garantir que o acordo perdure, que requer “nada menos do que o compromisso total e inabalável de ambas as partes.”

No entanto, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, expressou choque e indignação após um ataque ocorrido na noite de terça-feira no lado sírio de duas passagens de fronteira com o Líbano. No ato morreram e foram feridos funcionários do Crescente Vermelho Árabe Sírio. 

Fumaça sobe de um prédio danificado em Beirute, Líbano, após um ataque aéreo. Policiais são visíveis em uma varanda em meio à destruição.
© Unicef/Dar al Mussawir/Ramzi Em particular no sul do Líbano, as necessidades são consideradas agudas

A agência manifestou solidariedade com a equipe e os voluntários da instituição com a qual atua nas fronteiras apoiando meio milhão de sírios e libaneses que cruzaram para o território sírio.

Mais de 240 crianças mortas 

Já o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, declarou que a expectativa com o acordo entre Israel e o Hezbollah é que termine a guerra que matou mais de 240 crianças. Pelo menos 1,4 mil menores ficaram feridos além da destruição.

Para a agência, trata-se do primeiro passo essencial para permitir que as comunidades se curem e se reconstruam após meses de turbulência e perdas. Além de ser uma oportunidade pelo fim da violência, o Unicef fala de um momento para traçar um rumo a seguir que priorize a segurança e o bem-estar de crianças e famílias.

Para a agência que promove ações pela criança, a atuação urgente deve começar agora para garantir que essa paz seja sustentada. 

Outro pedido é que organizações humanitárias tenham acesso “seguro, oportuno e desimpedido” para que seja fornecida ajuda e serviços essenciais a todas as áreas afetadas, particularmente no sul do Líbano, onde as necessidades são agudas. 

Proteção de crianças de mais danos

A prioridade deve ser dada ao acesso à água potável, aos alimentos, aos cuidados médicos e ao apoio psicossocial para proteger as crianças de mais danos e ajudar famílias a começar a reconstruir suas vidas.

Em nota separada sobre Gaza, a Agência da ONU para Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, alerta que a fome atingiu níveis críticos, com pessoas vasculhando lixo de semanas atrás em busca de restos de comida. 

Sobre o conflito que sofre impacto da situação libanesa, a agência destaca que “à medida que o inverno se aproxima, as condições estão se deteriorando rapidamente e a sobrevivência é impossível sem ajuda humanitária imediata.”