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ONU relata angústia vivida com guerra na Ucrânia, que já deixou 12 mil mortos 

Uma jovem ucraniana sorri enquanto experimenta um novo casaco de inverno fornecido pela Unicef em Izium, na Ucrânia.
© UNICEF/Aleksey Filippov Comunidade humanitária já alcançou 7,2 milhões de pessoas com pelo menos um tipo de ajuda

ONU relata angústia vivida com guerra na Ucrânia, que já deixou 12 mil mortos 

Paz e segurança

Chefe humanitário descreve queda de capacidade energética e populações assustadas com uso de drones em comunidades; quase 1000 dias depois do início do conflito, cerca de 40% das pessoas afetadas precisam de ajuda humanitária. 

Mais de 12 mil mortes, capacidade energética à beira do colapso e o uso de drones em comunidades na linha da frente marcam a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, que está prestes a completar mil dias.  

Falando a jornalistas em Genebra, o coordenador humanitário das Nações Unidas no país, Matthias Schmale, descreveu momentos de angústia vividos pelos ucranianos com o avanço do conflito e com a chegada do inverno. 

Danos em instalações de saúde e casas  

O chefe da ajuda humanitária destacou que a infraestrutura civil foi dizimada. Foram registrados mais de 2 mil ataques a instalações de saúde e a existência de 2 milhões de casas danificadas. 

Em média, até 40% dos ucranianos precisam de assistência humanitária. Uma das maiores preocupações é com moradores de edifícios que enfrentam o terceiro inverno rigoroso consecutivo devido aos “ataques sistemáticos” às infraestruturas energéticas.  

Um homem e uma mulher com coletes de segurança e capacetes inspecionam um prédio danificado na Ucrânia.
© Unesco/Yulia Yuskiv Situação das comunidades e trabalhadores humanitários na linha de frente é considerada perigosa

A capacidade de produção de eletricidade baixou com a destruição de 65% da rede. Schmale contou que equipes de ajuda e parceiros fornecem combustível sólido e agasalhos às comunidades vulneráveis sempre que possível. A situação se torna mais precária para o “enorme número” de pessoas vivendo em apartamentos. 

O chefe humanitário considera impossível oferecer uma tonelada de combustível sólido num edifício alto. Em abrigos coletivos em cidades e vilas aonde chegam refeições há falta de acesso à água ou a bebidas quentes.  

Mais deslocamentos em massa 

A hipótese de um novo ataque das forças russas ao setor energético é uma das maiores preocupações à medida que as temperaturas se tornam extremamente baixas. A situação levaria a mais deslocamentos em massa dentro e fora do país. 

Schmale disse não se tratar apenas de encontrar soluções técnicas, mas de solicitar à comunidade internacional que faça sua parte para acabar com a guerra. 

 A comunidade humanitária já alcançou 7,2 milhões de pessoas com pelo menos um tipo de ajuda. Na resposta da ONU, de ONGs e organizações voluntárias foram aplicados US$ 1,8 bilhões. 

Um homem e uma mulher estão em uma área repleta de escombros, observando um memorial improvisado com flores e objetos pessoais deixados entre os destroços.
© Ocha na Ucrânia Pelo menos nove funcionários do setor foram mortos na guerra e diversas instalações humanitárias foram danificadas

A preparação para o inverno e a resposta às necessidades emergenciais de 1,8 milhões de pessoas até março precisam de US$ 500 milhões. O valor será aplicado para fornecer combustível sólido para o funcionamento dos sistemas de água. 

Piora de ataques com drones    

A situação das comunidades e trabalhadores humanitários na linha de frente é considerada perigosa. Pelo menos nove funcionários do setor foram mortos na guerra e diversas instalações humanitárias foram danificadas. 

Relatos das vítimas destacam a piora de ataques com drones às populações, à infraestrutura e às instalações da sociedade civil. Schmale considera terríveis os depoimentos de pessoas seguidas por estes veículos não tripulados. 

Para o chefe humanitário, elas enfrentam o terror psicológico “porque nunca sabem ao certo se estes veículos podem atacar ou estão apenas observando”. 

O coordenador de ajuda disse esperar que a nova administração dos Estados Unidos ajude a aliviar o sofrimento na Ucrânia. Ele pediu que o apoio humanitário continue e responda às enormes necessidades locais.