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Banco Mundial: tributação sobre produtos nocivos à saúde beneficiará sobretudo as famílias brasileiras de baixa renda

Duas canecas de vidro cheias de cerveja sobre um balcão de bar, com um fundo desfocado que mostra um ambiente de pub.
Arquivo Agência Brasil Aumento da tributação sobre álcool e outros produtos nocivos pode salvar vidas e impulsionar a produtividade da economia, segundo Banco Mundial

Banco Mundial: tributação sobre produtos nocivos à saúde beneficiará sobretudo as famílias brasileiras de baixa renda

Por Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil
Saúde

Novo documento apresenta formas de taxar tabaco, álcool e bebidas açucaradas de modo a reduzir a mortalidade da população e melhorar as receitas tributárias.

O Banco Mundial lançou documento com recomendações técnicas para estruturar e aplicar impostos especiais sobre tabaco, álcool e bebidas açucaradas. O objetivo é apoiar o Brasil na melhoria da saúde pública e da receita tributária.

A reforma tributária em curso no Brasil, possibilitada pela Emenda Constitucional 132, traz uma oportunidade para realizar essas mudanças. Elas podem ser feitas por meio do Imposto Seletivo na Lei Complementar atualmente em discussão no Senado. E, também, da Lei Ordinária que deve ser apresentada ao Congresso em 2025.

Oportunidade valiosa

Para o economista alemão Cornelius Fleischhaker, coautor do estudo, é essencial o Brasil aproveitar as oportunidades trazidas pela reforma tributária.

O edifício do Congresso Nacional do Brasil em Brasília, com sua alta torre, cúpula e estrutura oval, visto de uma rua em um dia claro.
Antônio Cruz/ Agência Brasil Regulamentação da reforma tributária está atualmente em discussão pelo Senado

“O Brasil tem uma oportunidade valiosa de melhorar a saúde pública e os resultados econômicos por meio de uma tributação estratégica. A implementação de impostos de saúde bem projetados pode salvar muitas vidas, aumentar o capital humano e a produtividade da economia.”

Todos os anos, o consumo de tabaco, álcool e bebidas açucaradas causa aproximadamente 341 mil mortes no Brasil. Isso representa cerca de 20% de todas as mortes no país. Esses produtos são os que mais contribuem para doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e enfermidades pulmonares crônicas.

A implementação de impostos especiais sobre esses produtos nocivos, por sua vez, é uma estratégia comprovada para deter e reduzir o consumo.

Uma mão segurando um cigarro aceso contra um fundo preto, com fumaça subindo. A imagem está associada a uma campanha de saúde pública sobre o consumo de tabaco no Brasil.
ONU/Divulgação Consumo de tabaco, álcool e bebidas açucaradas causa aproximadamente 341 mil mortes no Brasil

Alto consumo

O novo documento do Banco Mundial ressalta que os preços dos produtos de tabaco, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas no Brasil são relativamente baixos em comparação com os de países semelhantes na América Latina e nos países do G20. Como os valores são acessíveis para a população brasileira, as taxas de consumo tornam-se altas.

Do ponto de vista da saúde, a redução do consumo desses produtos levará a uma diminuição significativa de mortes e doenças evitáveis. E, apesar da redução prevista no consumo, o país ainda poderá ter maior arrecadação com esses impostos.

As pessoas de baixa renda deverão ser as mais beneficiadas com a política, pois elas são mais sensíveis às mudanças de preços. Atualmente, a maioria das mortes causadas pelos efeitos do consumo de tabaco, álcool e bebidas açucaradas está concentrada em domicílios pobres.

*Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil.

Uma pessoa com unhas pintadas de roxo escuro estende um dedo enquanto outra pessoa usa um medidor de glicose no sangue para fazer um teste de diabetes.
Marcelo Camargo/Agência Brasil Diabetes e outras doenças crônicas podem ser causadas pelo consumo de bebidas açucaradas