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Guterres fala de esperança renovada na inauguração da África Hall restaurada

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e Moussa Faki Mahamat, Presidente da Comissão da União Africana, realizam uma conferência de imprensa conjunta em pódios em Adis Abeba, Etiópia.
ECA/Daniel Getachew O secretário-geral da ONU, António Guterres (à esquerda), e Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, realizam uma conferência de imprensa conjunta em Adis Abeba, Etiópia

Guterres fala de esperança renovada na inauguração da África Hall restaurada

Assuntos da ONU

Em Adis Abeba, Etiópia, chefe da ONU aponta dificuldades vividas pelas mulheres africanas e falta de um assento permanente para a região no Conselho de Segurança; António Guterres volta a defender instituições globais mais eficazes, justas e inclusivas às margens da 8ª Conferência Anual da União Africana-Nações Unidas.

O secretário-geral listou um momento de desafios e qualidades para África ao enumerar a esperança, as dificuldades enfrentadas por mulheres africanas e a falta de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

António Guterres falava esta segunda-feira em Addis Abeba, Etiópia, na inauguração do Salão África modernizado. O líder das Nações Unidas disse que o edifício restaurado simboliza a expectativa renovada e a unidade para o continente.

“Ubuntu”

O edifício é um marco da libertação e um símbolo da unidade panafricana e foi inaugurado em 1961 pelo Imperador etíope Haile Selassie. No local nasceu a Organização da Unidade Africana, OUA, predecessora da agora União Africana, UA, e aconteceram vários momentos cruciais na história africana.

Para Guterres, o local é uma ponte entre o passado e o futuro da África honrando lutas e conquistas partilhadas, ao mesmo tempo que se abraçam as aspirações comuns traduzidas no conceito “Ubuntu”. A operação de renovação do local foi apoiada pela Comissão Econômica das Nações Unidas para África, ECA.

Guterres enfatizou que as instalações são da última geração do século 21 e preservam a grandeza e a história do grande continente. Ele disse ainda que o local convida a todos que cooperem buscando um futuro melhor para a região e para o mundo.

Ação resoluta e solidariedade

Apesar do que Guterres chamou de um “novo começo”, ele disse que é momento de se reconhecer os desafios pela frente. Ele apontou “desafios profundamente enraizados na história e exacerbados pelas mudanças climáticas, conflitos e pobreza persistente”.

O líder das Nações Unidas ressaltou ainda que para se lidar com as dificuldades enfrentadas pelas mulheres africanas é preciso ação resoluta e solidariedade renovada.

Em relação às instituições que precisam de reformas, ele disse que muitas delas estão presas a tempos passados, incapazes de responder às aspirações e direitos do povo africano. Uma das mais relevantes é que “a África ainda não tem assento permanente no Conselho de Segurança”.

Guterres apontou ainda a realidade das instituições financeiras internacionais que muitas vezes não podem fornecer aos países africanos a resposta de que precisam em campos como “proteção contra estrangulamento da dívida ou de catástrofe climática”.

8ª Conferência Anual da União Africana-Nações Unidas

Para o secretário-geral somente pode se avançar se também for renovado e atualizado o estado das instituições globais “tornando-as mais eficazes, justas e inclusivas”.

Na capital etíope, Guterres participa na 8ª Conferência Anual da União Africana-Nações Unidas. As atividades incluem copresidir um debate de alto nível com o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat.

O foco do evento estará na cooperação entre as duas organizações, ação conjunta e os desafios ligados à paz, à segurança, ao desenvolvimento, aos direitos humanos e ao impacto das alterações climáticas no continente africano.