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Investir em vacinas pode reduzir mortes por superbactérias resistentes a antimicrobianos

Uma ilustração 3D de várias bactérias resistentes a antibióticos, incluindo cocos e bacilos, contra um fundo preto com um padrão de grade hexagonal.
CDC Com pessoas vacinadas baixa a incidência de infecções e aumenta a proteção contra potenciais complicações causadas por infecções secundárias

Investir em vacinas pode reduzir mortes por superbactérias resistentes a antimicrobianos

Saúde

Estudo da OMS revela que 5 milhões de pessoas perdem a vida por ano devido à ameaça; uso de imunizantes contra 24 patógenos pode baixar 2,5 bilhões de doses diárias de antibióticos necessários atualmente.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que o aumento do investimento em vacinas pode prevenir mortes devido à resistência aos antimicrobianos, RAM, e reduzir o uso de antibióticos em 2,5 bilhões de doses a cada ano.

A resistência aos antimicrobianos ocorre quando bactérias, vírus, fungos e parasitas mudam com o tempo e não respondem mais aos medicamentos.

Ameaças globais à saúde pública e ao desenvolvimento

Mais de 5 milhões de mortes por ano estão associadas à questão considerada como uma das principais ameaças globais à saúde pública e ao desenvolvimento. O que acelera o processo é o uso indevido ou excessivo de antimicrobianos.

Vista aérea de um barco com várias pessoas em um rio marrom em Putumayo, Colômbia.
Opas Colômbia/Laly Malagón Vacinas economizariam um terço dos custos hospitalares ligados ao fenômeno da resistência aos antimicrobianos

A OMS explica que a importância das vacinas nos esforços globais para reduzir o problema reside em prevenir infecções, diminuir o uso e abuso de antimicrobianos e retardar o surgimento e disseminação de patógenos resistentes a medicamentos.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a atuação para abordar a resistência antimicrobiana começa com a prevenção de infecções e as vacinas estão entre as ferramentas mais poderosas para fazê-lo.

Vacinas disponíveis, mas subutilizadas

A publicação lista imunizantes contra 24 patógenos com potencial de baixar a quantidade de antibióticos necessários em 22%, ou 2,5 bilhões de doses diárias definidas em nível global a cada ano. Esta performance estimula esforços internacionais para lidar com a resistência antimicrobiana.

O estudo revela ainda que várias dessas vacinas estão disponíveis, mas são subutilizadas. Outras necessitariam ser desenvolvidas e colocadas no mercado o mais rápido possível.

Um profissional de saúde enche uma seringa com um frasco de vacina em uma clínica no Gana.
© Unicef/Nyani Quarmyne Estudo aponta ainda que mais 543 mortes poderiam ser evitadas em nível global com a aplicação de novas vacinas

O relatório baseia-se em um estudo indicando que até 106 mil mortes devido à resistência antimicrobiana poderiam ser anualmente evitadas por imunizantes em uso contra o agente infeccioso Haemophilus influenzae tipo B associado à pneumonia, meningite e febre tifoide.

O estudo aponta ainda que mais 543 mortes poderiam ser evitadas em nível global com a aplicação de novas vacinas contra a tuberculose e a bactéria Klebsiella pneumoniae se fossem desenvolvidas e lançadas universalmente.

Baixa a incidência de infecções

Tedros Ghebreyesus defende que é melhor prevenir do que remediar, ao mesmo tempo em que se aumenta o acesso a vacinas novas ou já existentes contra enfermidades graves como tuberculose. Para o chefe da OMS, estas medidas são essenciais para salvar vidas e “virar a maré da resistência aos antimicrobianos”.

Com pessoas vacinadas baixa a incidência de infecções e aumenta a proteção contra potenciais complicações causadas por infecções secundárias, que poderiam necessitar de medicamentos antimicrobianos ou exigir internação hospitalar.

Um médico usa um estetoscópio para examinar um paciente em uma enfermaria de um hospital em Mumbai, na Índia.
© OMS/David Rochkind OMS defende aumento do acesso a vacinas novas ou já existentes contra a tuberculose

Por exemplo, a imunização anual contra o agente Streptococcus pneumoniae poderia economizar 33 milhões de doses de antibióticos se 90% das crianças do mundo fossem vacinadas ao mesmo tempo que os idosos.

Mortes por resistência aos antimicrobianos

A aplicação de vacinas ajuda a reduzir de forma significativa os custos econômicos substanciais da resistência aos antimicrobianos. As despesas do tratamento dos patógenos resistentes em hospitais atingem US$ 730 bilhões a cada ano.

Com o uso de vacinas direcionadas a todas estas questões seria possível economizar um terço dos custos hospitalares ligados ao fenômeno.

Num evento de alto nível paralelo à 79ª Assembleia Geral em setembro foi adotada uma declaração política com metas e ações, incluindo a redução de mortes associadas a bactérias resistentes aos antimicrobianos em 10% por ano até 2030.