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Conferência busca soluções urgentes para enfrentar riscos de seca global

Kaponde Likando está em um campo de milho ressecado na vila de Chingobe, distrito de Zimba, no sul da Zâmbia, avaliando os danos causados ​​pela seca de 2023-2024.
© PMA/Nkole Mwape Um campo de milho estragado pela seca na Zâmbia, um dos países que declarou emergência enquanto enfrenta os efeitos do El Niño

Conferência busca soluções urgentes para enfrentar riscos de seca global

Clima e Meio Ambiente

Evento reúne especialistas e líderes para discutir políticas integradas e ações proativas contra a seca; Conferência de Resiliência à Seca +10 ocorre em um momento de agravamento da urgência climática; participantes são convocados a fortalecer a vontade política e implementar novas medidas para respostas mais eficientes ao fenômeno.

Genebra acolhe até quarta-feira um encontro global marcando os 10 anos da Reunião de Alto nível sobre a Política Nacional de Seca. Especialistas, políticos e profissionais discutem o tema na Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Para os organizadores, o momento é oportuno para trocar conhecimento e dar impulso à 16ª sessão da Conferência das Partes da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação, Unccd. A maior conferência sobre terra e seca terá lugar em dezembro em Riad, a capital da Arábia Saudita.

Dependência de economias saudáveis das terras

Para a vice-secretária executiva da Unccd, Andrea Meza, é preciso reconhecer a dependência das economias saudáveis em relação a terras saudáveis.

Ela aponta a urgência em reconhecer que a terra e os sistemas naturais são aliados nas respostas à mudança climática e à seca, além de aproveitá-los para uma gestão integrada e proativa do problema.

A Conferência de Resiliência à Seca +10 acontece diante da piora de riscos de seca em nível global. O fenômeno que é considerado como um dos que provoca “mais mortes no mundo” frequentemente atrai pouca atenção, alerta a OMM.

Além de promover sistemas de gestão mais integrados, o evento quer estimular a vontade política, a criação e prática de medidas mais eficazes. Outras questões são a construção da resiliência e de uma atuação para ampliar os sistemas de alerta.

Preparação, resposta e adaptação à seca

Os organizadores do evento falam de uma oportunidade para reflexão sobre a década de avanços na preparação, resposta e adaptação à seca. Outra meta é explorar formas de transformar conhecimento em soluções práticas para ajudar os países a se tornarem mais resilientes à seca.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, aponta a seca como “um risco climático astuto e perigoso, que prejudica a segurança alimentar humana e é uma das principais causas de deslocamento interno nos países mais afetados”.

A especialista enfatizou que o problema pode causar “um impacto arrasador no meio ambiente e nas economias e reverter o progresso no desenvolvimento sustentável”.

A chefe da agência de ONU defende soluções sustentáveis, baseadas no conhecimento científico e em políticas personalizadas que promovam práticas e políticas integradas de gestão da seca.

Seca e mudança climática

Mesmo com o conhecimento e as ferramentas disponíveis, Saulo ressalta que muitas vezes “não existe a vontade política e o investimento financeiro necessários para construir sociedades resilientes à seca.”

Entre os temas essenciais a marcarem a conferência estão os crescentes riscos relacionados ao fenômeno que são ditados pela mudança climática e pelo aumento das vulnerabilidades estruturais em muitas sociedades.

O evento propõe que se mude a abordagem, da reação impulsionada pela crise para a pró atividade que alavanque serviços climáticos, como previsões sazonais e ferramentas de ação antecipatória, incluindo mecanismos inovadores de fundos.

A reunião trata ainda dos avanços no monitoramento e previsão da seca e discute o reforço do monitoramento da seca para alertas precoces de segurança alimentar e saúde, e como incorporar políticas na iniciativa internacional sobre a questão.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, por causa das alterações do clima o ciclo da água é mais intenso causando chuvas mais fortes e inundações associadas, bem como secas severas em muitas regiões.