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Total de mortes por cólera sobe 71% em nível global

Um homem sírio usando um keffiyeh está em uma rua de Jableh, na Síria, após um terremoto.
© Unicef/Hasan Belal Deslocamento populacional e desastres naturais também contribuíram para aumentar surtos no ano passado

Total de mortes por cólera sobe 71% em nível global

Saúde

OMS aponta risco global e urgência na atuação para reduzir óbitos; agência alerta que embora a vacinação seja essencial, uso de água potável segura, saneamento e higiene ainda são as únicas soluções sustentáveis ​​e de longo prazo para acabar com os surtos; Moçambique é o único país lusófono na lista de nações com notificações.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, registrou uma alta de 13% nos casos e 71% de óbitos por cólera em 2023, em relação ao ano anterior.

Estima-se que mais de 4 mil pessoas tenham perdido a vida somente no ano passado devido à doença prevenível e facilmente tratável.

Crianças menores de cinco anos

As Estatísticas globais de cólera para 2023 revelam que 45 países relataram casos, sendo que 38% deles estiveram associados a crianças menores de cinco anos.

Uma criança de um ano de idade é examinada para detectar desnutrição durante uma campanha da Unicef no estado do Nilo, no Sudão.
© UNICEF/Ahmed Elfatih Mohamdeen OMS anunciou o corte do regime padrão de vacinação de duas doses administradas em campanhas de resposta para uma única para alcançar e proteger mais pessoas

Moçambique é o único país lusófono na lista de nações que notificaram uma alta de pacientes, incluindo Etiópia, Haiti e Zimbabué.

O estudo chama a atenção para a ocorrência de grandes surtos, com mais de 10 mil infecções suspeitas ou confirmadas, em nações como Afeganistão, República Democrática do Congo, Maláui e Somália.

Em 2023, mais de 270 mil homens foram afetados e 257 mil mulheres sofreram de cólera em nível global.

Aumento dos surtos de cólera

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus listou fatores que contribuíram para o aumento dos surtos como conflito, mudança climática, água e saneamento inseguros, pobreza e deslocamento.

Um menino carrega um recipiente de água amarelo por um beco cheio de entulho em Aden, no Iêmen.
© Unicef OMS adverte sobre o risco global “muito alto” de expansão da cólera

Outra questão importante foi o deslocamento populacional causado pelos confrontos emergentes e reemergentes. Os desastres naturais também contribuíram para aumentar surtos no ano passado.

A análise aponta ainda uma mudança na distribuição geográfica da cólera de 2022 para 2023. Houve uma redução de 32% nos casos relatados no Oriente Médio e na Ásia, e um aumento de 125% na África.

Em várias nações do continente africano aumentou a proporção de mortes na comunidade, indicando lacunas no acesso ao tratamento.

Graves lacunas no acesso ao tratamento

Neste ano, pelo menos 13 países confirmaram óbitos por cólera fora das unidades de saúde, conhecidas como “mortes na comunidade”.

Em cinco dessas situações houve mais de um terço dos óbitos destacando graves lacunas no acesso ao tratamento e a necessidade de fortalecer a resposta comunitária.

Uma criança recebe terapia intravenosa em um centro de tratamento na República Democrática do Congo, com um cuidador segurando suas mãos.
© Unicef/Jospin Benekire agência da ONU revelou que surtos ativos da doença acontecem atualmente em 22 países

A agência da ONU revelou que surtos ativos da doença acontecem atualmente em 22 países. Os dados preliminares até 22 de agosto mostram que, embora o total relatado este ano seja menor do que no ano passado, mais de 2,4 mil mortes e 3,4 milhões casos foram contabilizados em todos os continentes.

 Vacinação de duas doses

Um dos maiores desafios das autoridades é a demanda crescente por materiais para combater a cólera, como vacinas orais, testes de diagnóstico e medicamentos essenciais incluindo sais de reidratação oral e fluidos intravenosos.

Em 2022, a OMS anunciou o corte do regime padrão de vacinação de duas doses administradas em campanhas de resposta para uma única para alcançar e proteger mais pessoas com suprimentos limitados.

A estratégia ajudou a alcançar um recorde de 35 milhões de doses fornecidas no ano passado.

A OMS adverte sobre o risco global “muito alto” de expansão da cólera e pede urgência para diminuir mortes e conter surtos nos países.