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Agências temem piora da insegurança após confirmação de fome em área sudanesa

Um veículo branco da ONU atravessa uma poça profunda de lama em uma estrada rural no Sudão do Sul. Outros veículos de ajuda humanitária e pessoal são visíveis ao fundo.
Unmiss/Nektarios Markogiannis Grande prioridade do PMA é alcançar pessoas que enfrentam níveis de emergência

Agências temem piora da insegurança após confirmação de fome em área sudanesa

Paz e segurança

OMS alerta sobre “quadro angustiante” em ZamZam na sequência do agravamento dos níveis de segurança alimentar; comunidade humanitária realça apelo ao cessar-fogo como “a única solução sustentável que impedirá a disseminação da fome”.

Continuam reações da ONU à declaração de fome na área de ZamZam no Sudão. O anúncio desta semana foi o terceiro feito em 20 anos pelo Comitê de Revisão da Fome para a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC.

A primeira confirmação da crise em sete anos segue-se a mais de 15 meses de guerra entre o Exército do Sudão e paramilitares das Forças de Apoio Rápido, RSF. Outro fator associado é a série de limitações na ajuda humanitária no Sudão.

Ondas de calor e inundações mortais

As Nações Unidas estimam que mais da metade da população sudanesa, ou 25,6 milhões de pessoas, enfrentam fome aguda. O nível de carência alimentar alcançado por pelo menos 775 mil habitantes é considerado “catastrófico”.

Para a diretora regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, a situação no Sudão aliada a ataques militares e aos assassinatos ocorrendo em vários países ameaça ainda mais a segurança.

Uma pequena agricultora está em frente à sua casa em uma aldeia rural no Sudão.
© FAO/Mahmoud Shamrouk Altos funcionários reiteraram que o conflito no Sudão deve parar

Hanan Balkhy apontou fatores adicionais como as consequências das ondas de calor e inundações que provocaram mortes como estando a refletir novamente o crescente impacto das mudanças climáticas.

Balkhy realça que a insegurança alimentar “pinta o quadro mais angustiante” e que a análise recente demonstra que “a violência contínua empurrou partes de Darfur do Norte, notavelmente o acampamento de Zamzam, para a fome.”

Suprimentos essenciais em Porto Sudão

Já a vice representante da OMS no Sudão disse que quase 11 milhões de sudaneses são deslocados internos.

Para Hala Khudari, os efeitos desta situação para mulheres e crianças são de longo prazo, incluindo na forma como elas têm acesso a serviços e vacinas, bem como na disponibilidade de medicamentos para doenças crônicas.

Na terça-feira, a diretora de Operações e Advocacia do Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, apresentou um informe no Conselho de Segurança revelando que suprimentos essenciais na cidade de Porto Sudão estão prontos para serem carregados e despachados para Zamzam.

Edem Wosornu afirmou que os artigos incluem medicamentos essenciais, artigos nutricionais, comprimidos para a purificação de água e sabão. Ela considera “crucial que as aprovações e garantias de segurança necessárias não sejam atrasadas”.

Operações em todo o país

Em declarações ao Conselho, o vice-diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos, PMA, Stephen Omollo, anunciou que a agência está aumentando de forma significativa as operações em todo o país.

A grande prioridade é alcançar pessoas que enfrentam níveis de emergência e catastróficos de fome, juntamente com os deslocados internos.

Nas duas apresentações ao Conselho, os altos funcionários reiteraram que o conflito deve parar, e que “um cessar-fogo continua sendo a única solução sustentável que impedirá a disseminação da fome”.