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Nações Unidas contribuem com eventos do G20 no Brasil

Uma grande placa com os dizeres 'RIO CAPITAL DO G20' está situada em uma rua de paralelepípedos no Rio de Janeiro, com o Pão de Açúcar ao fundo.
ONU News/Ana Paula Loureiro No Brasil, a Cúpula dos Líderes do G20 está marcada para os dias 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio de Janeiro

Nações Unidas contribuem com eventos do G20 no Brasil

ODS

Agências da ONU participaram de debates sobre combate à fome, reforço da saúde, promoção do trabalho decente e ideias inovadoras para o futuro; envolvimento da organização incluiu lançamento de relatórios no país e chamados à ação para os ministros do bloco das maiores economias do mundo. 

O Brasil recebeu nas últimas semanas uma série de eventos relacionados a reuniões do G20, o grupo das maiores economias mundiais. Diversas agências da ONU estiveram envolvidas em debates e atividades paralelas.

Na condição de presidente temporário do bloco, o governo brasileiro anunciou em 24 de julho, no Rio de Janeiro, uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A nova iniciativa pretende abarcar um amplo conjunto de nações, para além daquelas do G20.

Reforço do combate à fome

O anúncio foi acompanhado do lançamento do relatório sobre o Estado Global da Segurança Alimentar e Nutricional, produzido por cinco agências especializadas da ONU.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, Qu Dongyu, discursou no lançamento da publicação destacando que a fome diminuiu por dois anos consecutivos na América do Sul e em regiões do Sul da Ásia, tirando 5,4 milhões de pessoas dessa condição em 2023, em comparação com 2021.

O economista chefe da FAO, Máximo Torero, afirmou que a Aliança estabelecida no Brasil terá um “papel central” em uma “revolução” dos sistemas agroalimentares.

O objetivo da Aliança Global é obter recursos e trocar conhecimentos para a implementação de políticas públicas e sociais comprovadamente eficazes para acabar com a fome e a pobreza em todo o mundo.

Em reunião com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, Jarbas Barbosa, parabenizou o governo brasileiro pela proposta.

Saúde e desigualdade

Segundo Barbosa, as populações mais pobres são as mais afetadas por doenças e expostas a fatores de risco, o que pode levar a uma redução ainda maior da renda. Ele afirmou que "garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades, está intrinsecamente ligado ao compromisso de acabar com a pobreza, a fome e a desnutrição".

O diretor da Opas ressaltou que, nas Américas, apesar dos avanços no aumento do financiamento público para a saúde e da promoção de mecanismos de proteção financeira, os pagamentos fora do limite ainda representam uma barreira crucial no acesso aos serviços de saúde e levam as famílias à pobreza.

Enfrentar a desigualdade e garantir o acesso equitativo à saúde foram as principais questões levantadas por Barbosa na Cúpula Global de Preparação para Pandemias, realizada no dia 30 de julho, também no Rio de Janeiro.

Durante o evento ele disse que “a pobreza e a doença são um ciclo vicioso que temos que quebrar". Para o diretor da Opas, "quando o setor de saúde funciona adequadamente, pode contribuir para melhorar vidas e reduzir a desigualdade".

O Dr. Jarbas Barbosa foi juramentado como o novo Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em um pódio em Washington, D.C., em 31 de janeiro de 2023.
Opas/OMS O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, Jarbas Barbosa

Trabalho e justiça social

O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, OIT, Gilbert Houngbo, instou os ministros do Trabalho e Emprego do G20 a tomarem medidas decisivas para reduzir as desigualdades, promover a igualdade de gênero e incentivar a diversidade no local de trabalho.

Em outra reunião de alto nível, organizada pelo Brasil na cidade de Fortaleza em 25 e 26 de julho, os ministros concordaram com um conjunto abrangente de medidas.

O objetivo é enfrentar os desafios do mercado de trabalho global, garantir transições justas e promover o trabalho decente. Os líderes se comprometeram a criar empregos de qualidade, promover a inclusão social e eliminar a fome e a pobreza por meio de políticas sociais, econômicas e ambientais coordenadas.

O chefe da OIT disse aos ministros que em um mundo que está constantemente enfrentando novos desafios e crises, “está ficando mais claro a cada dia que é preciso acelerar os esforços para tornar a justiça social uma realidade para todos”.

Otimismo com o futuro

Antes do início dos encontros do G20, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, lançou o relatório “Sinais em Destaque de 2024”, que identifica tendências emergentes no desenvolvimento e “ideias inteligentes” para enfrentar os desafios globais de longo prazo.

Com a Cúpula do Futuro da ONU em mente, o estudo se concentra na equidade intergeracional e identifica temas emergentes que podem ser foco de otimismo.

Dentre eles estão o reconhecimento dos direitos da natureza em constituições e leis, o apoio a modelos alternativos como economias circulares ou regenerativas e sinais de que as pessoas estão se engajando na democracia de novas maneiras, inclusive por meio de tecnologias digitais.   

O relatório é o resultado da síntese e análise de "sinais" coletados por uma rede de mais de 300 funcionários da agência em todo o mundo.