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População mundial atingirá 10,3 bilhões em meados da década de 2080

Taxas de mortalidade diminuíram e a expectativa de vida aumentou de forma significativa nos últimos 30 anos
Unsplash/Yoav Aziz
Taxas de mortalidade diminuíram e a expectativa de vida aumentou de forma significativa nos últimos 30 anos

População mundial atingirá 10,3 bilhões em meados da década de 2080

ODS

Portugal está entre 63 países que já atingiram o auge demográfico; Brasil e Cabo Verde poderão chegar a essa marca em 30 anos; Guiné-Bissau, Moçambique, Angola, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe seguirão aumentando o número de habitantes.

O total de habitantes do planeta poderá atingir o pico neste século, segundo as Nações Unidas. O Relatório Perspectivas da População Mundial 2024 revela que um quarto das pessoas vive em um país cuja população está no auge.

Pela publicação lançada nesta quinta-feira, a população global atingirá o máximo em meados da década de 2080 após crescer nos próximos 60 anos. A alta será dos 8,2 bilhões em 2024, para cerca de 10,3 bilhões, em meados da década de 2080.

Países lusófonos

A projeção do Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais, Desa, destaca que depois desse aumento o número de habitantes do planeta retornará para cerca de 10,2 bilhões até o final do século.

O levantamento da ONU aponta Portugal como um dos 63 países e áreas que atingiram o pico da população este ano, incluindo China, Alemanha, Japão e Rússia. A população do grupo poderá diminuir em 14% nos próximos 30 anos.

A previsão é que Brasil e Cabo Verde atinjam o máximo de habitantes em 30 anos. Entre 2025 e 2054 estima-se que a população deve alcançar o maior número em 48 países e áreas, incluindo Irã, Turquia e Vietnã.

Angola poderá ter um crescimento muito rápido, com sua população total dobrando entre 2024 e 2054. Em 126 países, incluindo Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Estados Unidos, a população aumentará e, potencialmente, atingirá o pico na segunda metade do século ou mais tarde.

Número de anos que a população global espera viver atingiu 73,3 anos em 2024
© Unsplash/Shashank Hudkar
Número de anos que a população global espera viver atingiu 73,3 anos em 2024

População mundial em 2100

No caso de Guiné-Bissau, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe as populações continuarão crescendo até atingir seu auge entre o final do atual e o princípio do próximo século.

O relatório das Nações Unidas enfatiza ainda que o tamanho da população mundial em 2100 estará 6% abaixo do que foi previsto há uma década, ou 700 milhões de pessoas a menos.

 Estudo recomenda investir na educação de jovens, especialmente meninas, para colher resultados positivos para a saúde das mulheres
© WPP
Estudo recomenda investir na educação de jovens, especialmente meninas, para colher resultados positivos para a saúde das mulheres

O crescimento demográfico teve influência da baixa dos níveis de fertilidade em alguns dos maiores países do mundo, especialmente a China. Em nível global, as mulheres estão tendo um filho a menos, em média, do que tinham por volta de 1990.

O relatório revela ainda que em mais da metade de todos os países e áreas, a média de nascidos vivos por mulher está abaixo de 2,1 do necessário para que uma população mantenha um tamanho constante a longo prazo sem migração.

Fertilidade considerada “ultrabaixa”

Em quase um quinto de todos os países e áreas, incluindo China, Itália, Coreia do Sul e Espanha, a fertilidade é considerada “ultrabaixa”, com menos de 1,4 nascidos vivos por mulher ao longo da vida.

O Relatório Perspectivas da População Mundial 2024 indica que a gravidez precoce continua sendo um desafio, principalmente em países de baixa renda. Em 2024, mães com menos de 18 anos geraram 4,7 milhões de bebês, ou cerca de 3,5% do total mundial.

Destes, cerca de 340 mil nasceram de crianças menores de 15 anos, com consequências graves para a saúde e o bem-estar das jovens mães e de seus filhos.

Após aumento, o número de habitantes do planeta retornará para cerca de 10,2 bilhões até o final do século
Photo: Pandi/Unfpa Colombia
Após aumento, o número de habitantes do planeta retornará para cerca de 10,2 bilhões até o final do século

O relatório conclui que investir na educação de jovens, especialmente meninas, e aumentar as idades de casamento e primeiro filho em países onde isso ocorre precocemente terá resultados positivos para a saúde das mulheres, realização educacional e participação na força de trabalho.

Escala dos investimentos

Esses esforços também contribuirão para desacelerar o crescimento demográfico e reduzir a escala dos investimentos necessários para atingir o desenvolvimento sustentável, garantindo que ninguém seja abandonado.

Nas últimas três décadas, as taxas de mortalidade diminuíram e a expectativa de vida aumentou de forma significativa. Após um breve declínio durante a pandemia da Covid-19, o número de anos que a população global espera viver atingiu 73,3 anos em 2024, comparados aos 70,9 anos durante a crise de saúde.

Até o final da década de 2050, mais da metade das mortes globais ocorrerão aos 80 anos ou mais, um aumento substancial de 17% em relação ao nível de 1995.

Já até o limite da década de 2070, o número de pessoas com 65 anos ou mais ultrapassará o de menores de 18 anos, enquanto o total de indivíduos com 80 anos ou mais superará o de bebês com menos de um ano em meados da década de 2030.

Taxa de natalidade

Em países que ainda estão crescendo rapidamente e têm populações relativamente jovens, o número de pessoas de idade igual ou superior a 65 anos deverá aumentar nos próximos 30 anos. 

Tamanho da população mundial em 2100 estará 6% abaixo do que foi previsto há uma década
© UNICEF/Dominggus Monemnasi
Tamanho da população mundial em 2100 estará 6% abaixo do que foi previsto há uma década

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua, disse que o cenário demográfico evoluiu muito nos últimos anos. Em alguns países, a taxa de natalidade agora é ainda menor do que o previsto anteriormente e se observam declínios ligeiramente mais rápidos em algumas regiões de alta fertilidade.

Para ele, atingir o auge da população mais cedo e em número mais baixo é um sinal de esperança que “pode significar pressões ambientais reduzidas de impactos humanos devido ao menor consumo agregado”.

O representante alertou, no entanto, que o crescimento demográfico mais lento não eliminará a necessidade de reduzir o impacto médio que é atribuído às atividades de cada indivíduo.