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Agência de projetos da ONU pede maior apoio internacional para Moçambique

Funcionários do Acnur realizam uma avaliação de necessidades com algumas pessoas que chegam a Namapa, na província de Nampula, após fugir de ataques recentes de grupos armados não estatais em Cabo Delgado
© Acnur Moçambique
Funcionários do Acnur realizam uma avaliação de necessidades com algumas pessoas que chegam a Namapa, na província de Nampula, após fugir de ataques recentes de grupos armados não estatais em Cabo Delgado

Agência de projetos da ONU pede maior apoio internacional para Moçambique

Ajuda humanitária

Cerca de 1,7 milhão de moçambicanos precisarão de auxílio humanitário e proteção neste ano; ação do Unops tem impacto em cerca de 60 mil pessoas em Cabo Delgado; Jorge Moreira da Silva encerrou presença na área pedindo que o mundo se lembre das vítimas de conflito no norte.

O Escritório da ONU de Serviços para Projetos, Unops, pede mais apoio internacional aos esforços em favor das populações do norte de Moçambique.

O diretor-geral da agência, Jorge Moreira da Silva, acompanhou até esta quinta-feira a atuação do Unops junto a 60 mil pessoas no terreno. Ele ressaltou “resultados tangíveis” do apoio oferecido em 40 escolas de 13 distritos da província de Cabo Delgado.

Uma mãe alimentando seu bebê com uma refeição que salva vidas no Distrito de Mecufi, Província de Cabo Delgado, Moçambique.
© UNICEF/2023/PERIQUITO
Uma mãe alimentando seu bebê com uma refeição que salva vidas no Distrito de Mecufi, Província de Cabo Delgado, Moçambique.

Comida, segurança e abrigo

Depois de uma presença de quatro dias no país, Moreira da Silva lembrou que as comunidades da província sofrem o impacto da violência que em mais de sete anos matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão.

O representante falou ainda da busca diária por comida, segurança e abrigo como algumas marcas do conflito que se juntam à vulnerabilidade aos desastres climáticos, apesar do país emitir baixos níveis de gases poluentes. 

Moreira da Silva contou que a “perspectiva humanitária é terrível”. Ele contactou comunidades afetadas pelo conflito e acompanhou as necessidades locais. O debate para a busca de apoio envolveu parceiros nacionais em diferentes níveis.

Cabo Delgado, no norte de Moçambique
PMA/Grant Lee Neuenburg
Cabo Delgado, no norte de Moçambique

Assistência humanitária e proteção

Em 2024, cerca de 1,7 milhão de pessoas precisarão de assistência humanitária e proteção em Moçambique, incluindo 1,3 milhão de afetadas por conflitos. 

O chefe do Unops relata “uma realidade de múltiplas crises sem precedentes”, como um fator que justifica que o conflito no norte de Moçambique permaneça nas mentes. 

A atuação da agência com o governo e o Banco Mundial oferece resposta e apoia a recuperação de infraestrutura básica, a busca de meios de subsistência sustentáveis, o aumento do acesso a serviços públicos e promove a coesão social. 

Jorge Moreira da Silva destacou que atividades estão em curso para melhorar a situação das comunidades. Ele elogiou a resiliência e a determinação das populações locais para “forjar um caminho pacífico e próspero”. 

O chefe do Unops ressaltou que o desenvolvimento sustentável e inclusivo em Moçambique requer paz e estabilidade. 

O apelo feito à comunidade internacional é que possa “renovar seu compromisso de apoio aos esforços nacionais e locais para se descobrirem soluções práticas para as comunidades afetadas por conflitos e vulnerabilidade climática”.