Perspectiva Global Reportagens Humanas

Dia Mundial dos Oceanos exalta importância de união para defender mares

Vista aérea da vila de Galoa, na ilha principal de Viti Levu, em Fiji, mostrando uma vila costeira aninhada entre montanhas verdejantes e um vibrante recife de coral turquesa.
© Unsplash/Alec Douglas Viti Levu, em Fiji

Dia Mundial dos Oceanos exalta importância de união para defender mares

Clima e Meio Ambiente

Secretário-geral da ONU destaca que os oceanos, que sustentam e melhoram toda a vida na Terra, “estão em apuros” por culpa dos seres humanos; progressos incluem esforços por um tratado juridicamente vinculativo para acabar com a poluição por plásticos.

As Nações Unidas assinalam neste 8 de junho o Dia Mundial dos Oceanos apelando por união entre governos, empresas, investidores, cientistas e comunidades em defesa dos mares.

A data encerra uma semana de eventos especiais incluindo debates acadêmicos, sessões de cinema e exibições culturais em vários países. 

As Nações Unidas acolheram políticos, cientistas, gestores, intelectuais e artistas num programa interativo realizado na sexta-feira.

Tartaruga-de-pente fêmea com um saco plástico na boca, nadando perto de um recife de coral no Mar Vermelho.
Saeed Rashid A poluição plástica nos oceanos do mundo está ameaçando a vida marinha

Mais e melhores medidas para os oceanos 

A sessão realizada na sede da ONU, em Nova Iorque, teve foco nas perspectivas e análise sobre o planeta, os seres humanos e o relacionamento entre a humanidade e os oceanos visando promover uma “onda de ação em direção às mudanças necessárias”.

A ONU News conversou com Carolina Barreto, diretora da empresa Artery. Participando do evento, a brasileira ressaltou uma das questões que foram levantadas no debate.

“A maior parte do oceano, ela é invisível aos nossos olhos. Então por isso que é muito importante realmente falar pras pessoas o que está acontecendo lá de baixo, que pouquíssimas pessoas tem acesso, e o quão é importante toda essa conservação, e todo esse ecossistema, esse equilíbrio é importante pra nossa vida.”

 Em mensagem, o secretário-geral pede atenção ao lema Despertando Novas Profundidades. Este ano, ele pede que no Dia Mundial dos Oceanos sejam ativadas “mais e melhores medidas” em favor dos mares.

António Guterres destaca que os oceanos, que sustentam e melhoram toda a vida na Terra, “estão em apuros” por culpa dos seres humanos.

A primeira celebração da data foi no Fórum Global de 1992 no Rio de Janeiro. O evento paralelo na Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rio+20, juntou ONGs e a sociedade civil debatendo o tema.

Elo essencial nas cadeias alimentares 

Guterres menciona o impacto das mudanças climáticas sobre o aumento do nível dos mares e a ameaça à existência de pequenos Estados insulares em desenvolvimento e populações costeiras. Outra questão é a das temperaturas recordes do mar que “provocam eventos climáticos extremos que nos afetam a todos”.

A acidificação dos oceanos é mais um ponto de preocupação da ONU por “destruir os recifes de coral, quebrando um elo vital nas cadeias alimentares e ameaçando o turismo e as economias locais”. 

Na lista de desafios dos mares estão o desenvolvimento costeiro insustentável por ações como pesca excessiva, mineração em águas profundas, poluição descontrolada e resíduos plásticos que danificam os ecossistemas marinhos.

No entanto, Guterres vê esperança após a adoção de medidas como o novo novo tratado sobre a governação dos oceanos, considerado o mais importante em décadas aprovado pela Assembleia Geral da ONU. 

A silhueta de uma pessoa correndo ao longo da orla de uma praia com ondas quebrando ao fundo.
© Unsplash/Tamas Tuzes-Katai Praia da Nazaré, em Portugal. A sustentabilidade em países costeiros deve ser acompanhada pela preservação do oceano

Biodiversidade Marinha 

O líder da ONU destaca que esse entendimento foi alcançado como parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar sobre a Conservação e Utilização Sustentável da Biodiversidade Marinha em Áreas Fora da Jurisdição Nacional.

Os progressos em favor dos oceanos incluem os esforços por um tratado juridicamente vinculativo para acabar com a poluição por plásticos.

Somado a este avanço está o parecer do Tribunal Internacional do Direito do Mar defendendo “medidas para reduzir, controlar e prevenir a poluição marinha causada pelas emissões de gases com efeito estufa”.

O líder  da ONU crê que dois grandes eventos possam ampliar as oportunidades para restauração de ecossistemas marinhos e costeiros: a Conferência do Futuro de 2024, em Nova Iorque, e a Conferência da ONU sobre os Oceanos em 2025 agendado para a França.