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Estudo sobre Mianmar revela “efeitos de uma recessão profunda”

Uma mãe e seu filho pequeno sentam-se juntos dentro de um abrigo simples em uma zona de conflito em Myanmar.
© Unicef/Nyan Zay Htet Milhares de pessoas fugiram para grandes áreas urbanas, como nos arredores da capital birmanesa Yangon

Estudo sobre Mianmar revela “efeitos de uma recessão profunda”

Desenvolvimento econômico

País asiático tem cerca de 75% da população vivendo na pobreza e a classe média está desaparecendo numa queda de 50%; relatório Situação Socioeconômica de Mianmar foi a primeira pesquisa de grande dimensão ao abranger mais de 12 mil famílias em todas as regiões do país. 

Colapso econômico e profunda pobreza marcam a realidade birmanesa após o golpe militar, de acordo com o Relatório Situação Socioeconômica de Mianmar.

O documento revela um declínio preocupante no cenário de uma economia que recentemente teve uma atividade industrial admirável e caiu do status de “um dos potenciais pequenos tigres em movimento”.

Desaparecimento da classe média 

A diretora Regional para a Ásia do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, Kanni Wignaraja, descreveu os efeitos de uma recessão profunda na sequência do golpe militar ocorrido em 1º de abril de 2021 e o momento que se seguiu ao período da Covid-19.

A representante da agência contou que “entre o final de 2021 e o princípio de 2022 foi observada uma recuperação das nações vizinhas e verificado o contrário para o caso do Mianmar” 

Uma criança caminha por uma trilha de terra em um campo de refugiados no estado de Rakhine, em Myanmar.
© Unicef/Brown Mianmar tem cerca de 75% da população vivendo na pobreza

A pesquisa realizada no fim do ano passado foi a primeira de grande dimensão ao abranger mais de 12 mil famílias em todas as regiões do país. A constatação é que a classe média está literalmente desaparecendo numa queda de 50% ocorrida em dois anos e meio.

Profundo estado de necessidade

Esta realidade considerada “bastante extraordinária”, além de ter empurrado mais pessoas para a pobreza extrema fez com que os que já eram pobres tivessem que passar para um nível mais profundo de necessidades. 

Mianmar tem cerca de 75% da população vivendo na pobreza, sendo que o mais ameaçador é “o profundo estado de necessidade das pessoas que estão em níveis abaixo da pobreza.”

Uma menina refugiada rohingya senta-se num banco vermelho num clube para adolescentes no campo de Kutupalong, em Bangladesh. O Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi, é visível ao fundo.
© Acnur/Kamrul Hasan Pnud receia que surja uma geração sem acesso ao ensino em Mianmar

Além de regiões duramente afetadas pelo conflito, como o estado de Rakhine, milhares de pessoas fugiram para grandes áreas urbanas, como nos arredores da capital Yangon.

Busca por segurança e serviços básicos

O conflito empurrou o total de deslocados procurando segurança em áreas urbanas para 3 milhões. Apesar da busca por segurança e serviços básicos, o movimento de áreas rurais para urbanas não pode oferecer uma rede de segurança.

Outra observação do estudo é que há mecanismos muito pouco sustentáveis para lidar com a situação: pessoas deixando campos agrícolas, passando a comer uma vez por dia, e diminuindo os gastos com educação, o que gerou um aumento de crianças fora da escola.

O receio é que surja uma geração sem acesso ao ensino, com a baixa em gastos no setor e em outros serviços básicos.

Uma criança pequena está em um caminho rochoso e lamacento no Acampamento da Igreja Católica de Maina, no Estado de Kachin, Mianmar.
Ocha/P. Peron Movimento de áreas rurais para urbanas não pode oferecer uma rede de segurança