Chefe humanitário da ONU alerta para crise global com recorde de deslocados internos
Com mais de 70 milhões de pessoas deslocadas internamente, chefe de Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, alerta para crise global sem precedentes; ele enfatiza necessidade de soluções colaborativas e imediatas; desastres e conflitos impulsionam deslocamentos, enquanto assistência humanitária enfrenta desafios, com esforços atuais considerados lentos; mudança climática pode agravar situação.
Com mais de 70 milhões de pessoas deslocadas internamente, o mundo enfrenta um nível recorde de crises humanitárias, pedindo por soluções colaborativas e imediatas da comunidade internacional. O alerta é do chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Martin Griffiths.
Nesta quarta-feira, ele apresentou uma revisão dos esforços humanitários para ajudar as pessoas desalojadas por conflitos, mudanças climáticas ou outras emergências. O subsecretário-geral reiterou preocupações de que a ajuda para os deslocados internos do mundo não está sendo fornecida com rapidez suficiente.
Deslocados internos globais
Ele ressalta que a escalada de conflitos, desastres de grande magnitude, escassez de água e insegurança alimentar estão contribuindo para o aumento do número de pessoas que buscam refúgio em outras regiões dentro de seus próprios países.
Griffiths enfatizou a necessidade de utilizar o acesso às comunidades em colaboração com parceiros de desenvolvimento e outros atores envolvidos na busca por soluções, incluindo mediação e envolvimento da comunidade política local, para compreender as necessidades e desejos das pessoas afetadas.
Os trabalhadores humanitários insistem que são necessárias reformas para ajudar as pessoas deslocadas internamente porque elas sofrem os piores resultados de saúde e a maior taxa de mortalidade do que qualquer outro grupo populacional em emergências.
Falta de recursos
Mas essas mudanças não estão acontecendo com rapidez suficiente, de acordo com um novo relatório dos chefes de agências da ONU e parceiros conhecidos coletivamente como Comitê Permanente Interagências, ou Iasc.
O relatório destacou que as pessoas deslocadas são de responsabilidade dos países afetados, mas quando os governos são "incapazes ou não querem" oferecer soluções, os profissionais humanitários devem intervir.
No entanto, os esforços atuais são "muito lentos para responder" às necessidades das pessoas vulneráveis e muito lentos para ajudá-las a reconstruir suas vidas, alertou o comitê. O Iasc também destaca as estimativas de que a mudança climática poderia levar mais de 200 milhões de pessoas ao deslocamento até 2050.
Com muita frequência, o sistema humanitário em geral ignora as necessidades específicas dos deslocados internos e "concentra-se mais nos processos internos do que no envolvimento significativo das pessoas que pretende ajudar", disse o resumo executivo do relatório, publicado na semana passada.
Assembleia Geral
Também nesta quarta-feira, o secretário-geral adjunto Robert Piper falou aos Estados-membros sobre a implementação de seu mandato e prioridades, com base na Agenda de Ação do Secretário-Geral sobre Deslocamento Interno, que estabelece os compromissos da ONU para resolver, prevenir e abordar as crises.
Em declaração na Assembleia-Geral, ele afirmou que metade dos 61 milhões de deslocamentos durante 2022 foram devido a conflitos e metade devido a desastres.
No mesmo ano, os conflitos aumentaram 300% em relação à média dos últimos 10 anos. Esses dados não incluem o agravamento no Sudão ou a situação em Gaza. Segundo Piper, os números de 2023 provavelmente marcarão mais um grande salto nos números de deslocamentos causados por conflitos.
Os deslocamentos causados por desastres estão em ascensão, registrando um aumento de 40% em 2022 em comparação com a média dos últimos 10 anos. Esta tendência é global, afetando quase todos os países do mundo. O Japão ainda trabalha na gestão dos deslocados de Fukushima e os Estados Unidos, nos incêndios no Havaí.
Na Nigéria, os 4,5 milhões de deslocados representam cerca de 2% da população do país. Já na Colômbia, mais de 8 milhões de pessoas deslocadas equivalem a mais de 15% da população total.
Na Somália, os 3,9 milhões de deslocados internos ultrapassam os 20% da população total, enquanto na Síria, quase 7 milhões de deslocados internos correspondem a mais de 30% da população nacional. Estes números destacam a extensão da crise dos deslocamentos e a necessidade urgente de soluções eficazes.