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Auxílio humanitário na Etiópia em perigo por falta de recursos

Abadit Siyum, de 26 anos, mãe de quatro filhos, carrega ajuda alimentar recebida do PAM na região de Tigre, na Etiópia. A imagem captura a retomada da distribuição de ajuda alimentar após a implementação do registro digital para os beneficiários.
© PMA/Michael Tewelde PMA quer alcançar as pessoas mais vulneráveis ​​até junho e dar resposta à seca em grande escala

Auxílio humanitário na Etiópia em perigo por falta de recursos

Ajuda humanitária

Situação da segurança alimentar piora na área de Tigray, marcada por conflitos ao norte; operações acontecem em meio à baixa de reservas de comida; PMA precisa de US$ 142 milhões para continuar realizando entrega de auxílio.

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, anunciou que vai realizar operações adicionais de auxílio para chegar a até 3 milhões de pessoas na Etiópia nas próximas semanas. Mais de 2 milhões de beneficiários são de Tigray, no norte. 

A piora da situação da segurança alimentar é uma preocupação da agência da ONU na região marcada pela fome severa. O PMA destaca que as operações são essenciais num momento em que o conflito no Sudão gera mais refugiados. 

Programa de auxílio alimentar

A previsão é que o território etíope receba mais 200 mil sudaneses neste ano. A situação poderá colocar pressão tanto sobre o programa de auxílio alimentar como nas comunidades anfitriãs.

Pessoas caminham por uma estrada empoeirada em Gondar Ocidental, Etiópia, em uma fotografia em preto e branco para o Concurso do Calendário da OMM 2024.
© OMM/Abenezer Israel Mais de 100 mil pessoas atravessaram a fronteira do Sudão para a Etiópia

As operações acontecem numa altura em que reservas alimentares chegaram ao limite e precisam de US$ 142 milhões para reposição. A meta é alcançar as pessoas mais vulneráveis ​​até junho e dar resposta à seca em grande escala.

A agência alertou que sem o valor necessário deverá interromper a distribuição de alimentos em abril.

Cerca de 8 milhões deslocados do Sudão

Recentemente, o alto comissário da ONU para os Refugiados esteve no país que acolhe quase 8 milhões deslocados do vizinho Sudão. Ele destacou que a Etiópia carece de mais apoio urgente para satisfazer suas necessidades.

Filippo Grandi manteve contato com mais de 20 mil refugiados e requerentes de asilo que estão atualmente alojados no centro de trânsito de Kurmuk. 

Um grupo de mulheres e crianças sul-sudanesas caminha por uma estrada de terra, carregando grandes sacos de suprimentos em uma vara sobre os ombros.
Acnur/P.Rulashe Etiópia é o terceiro maior país anfitrião em África e alberga cerca de 1 milhão de refugiados

Desde abril de passado, mais de 100 mil pessoas atravessaram a fronteira do Sudão para a Etiópia, incluindo perto de 47 mil refugiados e candidatos a asilo. Estes somaram-se aos cerca de 50 mil sudaneses que já se encontravam no país.

Recursos para a resposta humanitária

Grandi também destacou o impacto da diminuição dos recursos para a resposta humanitária, particularmente na saúde e na educação.

A Etiópia registra surtos ativos de cólera e representa alto risco de propagação para outros países, tal como cinco nações africanas. A ameaça aumenta com a época chuvosa, que marca o pico de transmissão da doença, além de fatores como alterações climáticas e conflitos.

O território etíope acolhe uma das maiores populações de refugiados e deslocados internos do mundo. O terceiro maior país anfitrião em África alberga cerca de 1 milhão de refugiados, principalmente do Sudão do Sul, da Somália, da  Eritreia e do Sudão. 

Cerca de 3,5 milhões de etíopes foram obrigados a fugir de suas casas para outras regiões do país, segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur.