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Nova onda de ataques na Ucrânia matou 90 civis, incluindo crianças

Cidade portuária de Odesa, no sul da Ucrânia, no Mar Negro, está sendo alvo de novos ataques com mísseis
© UNOCHA/Alina Basiuk
Cidade portuária de Odesa, no sul da Ucrânia, no Mar Negro, está sendo alvo de novos ataques com mísseis

Nova onda de ataques na Ucrânia matou 90 civis, incluindo crianças

Paz e segurança

Há registros de dois menores mortos e mais de 15 feridos; representante do Unicef no país afirma que violência causou destruição de infraestrutura civil e aumenta medo e incerteza; missão de monitoramento aponta que últimos bombardeios em Kyiv e Kharkiv mataram pelo menos cinco civis e feriram 130.

O representante do Unicef na Ucrânia, Munir Mammadzade, afirmou que nos últimos seis dias, crianças, famílias e infraestruturas essenciais têm sido alvo de ataques em Dnipro, Lviv, Kharkiv, Kyiv, Odesa e outras áreas populosas. Relatos indicam a morte de duas crianças e pelo menos 15 feridas após os atos.

Já o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos na Ucrânia, Krzysztof Janowski, afirmou que desde a onda de ataques da Rússia em todo o país, iniciada em 29 de dezembro, a Missão de Monitoramento de Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia registrou 90 mortes civis, incluindo duas crianças, e 421 civis feridos em 12 regiões. 

Medo generalizado

Para Munir Mammadzade, a cada menor afetado, escolas e instalações de saúde destruídas e danificadas, os cidadãos mais jovens da Ucrânia são forçados a suportar o peso dos ataques. 

Segundo o Unicef, pelo menos oito escolas e 10 instalações de cuidados de saúde, incluindo uma maternidade, teriam sido danificados na última semana. Casas foram destruídas e milhões de crianças começaram o novo ano sob o som de sirenes e bombardeios, aumentando um medo familiar.

A cidade de Dnipro, no leste da Ucrânia, foi atingida por novos ataques de mísseis
© Unocha/Oleksii Kholenkov
A cidade de Dnipro, no leste da Ucrânia, foi atingida por novos ataques de mísseis

O representante da agência adiciona que o “impacto cumulativo das vítimas relatadas, danos à infraestrutura e ataques incessantes transformou o que deveria ser uma temporada de alegria em uma marcada por medo, terror e tristeza”.

Munir Mammadzade adiciona que as crianças foram obrigadas a buscar refúgio em porões, abrigos antiaéreos e estações de metrô, muitas vezes nas primeiras horas da manhã frias. 

Ele alerta que as crianças que tiveram suas casas danificadas ou destruídas, com acesso à eletricidade, aquecimento e água interrompido, têm uma situação particularmente preocupante, pois enfrentam temperaturas severas, frequentemente chegando a -20°C.

1,8 mil crianças mortas ou feridas

O Unicef afirma que relatos verificados pela ONU aponta que quase 1,8 mil crianças foram mortas ou feridas desde o início da escalada da guerra na Ucrânia, alertando que o número real provavelmente é muito maior.

O Fundo da ONU para Infância lembra que, em fevereiro, a guerra na Ucrânia completa dois anos com milhões de crianças tiveram suas “infâncias roubadas”. Milhões perderam membros da família, amigos, casas, escolas e comunidades

Assim, Munir Mammadzade destaca que assassinato e mutilação de crianças, bem como os ataques a escolas e instalações de saúde são graves violações dos direitos das crianças e devem parar. 

O representante adiciona que as leis da guerra devem ser cumpridas e crianças e infraestrutura civil protegidas. 

Bombardeios mais recentes

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos na Ucrânia afirmou que em 2 de janeiro de 2024, a Rússia lançou ondas de ataques com mísseis e drones na Ucrânia, especialmente Kyiv e Kharkiv, duas das maiores cidades do país. 

Relatórios preliminares das autoridades ucranianas indicam que os ataques mataram pelo menos cinco civis e feriram 130, danificando residências e infraestrutura civil.

Os atos incluíram bombardeios e ataques de mísseis, que supostamente mataram oito civis e feriram 29 em áreas de Donetsk ocupadas pelas forças russas. Cada vítima civil será verificada independentemente.

A missão expressa suas mais profundas condolências às famílias daquelas cujas vidas foram tragicamente interrompidas e nossos desejos de uma rápida recuperação para os feridos.