Perspectiva Global Reportagens Humanas

São Tomé e Príncipe possui lacunas na coleta de dados sobre proteção de migrantes

Seis pessoas estão em pé sobre uma estrutura de concreto que serve de reservatório de água em uma área rural de São Tomé e Príncipe.
Pnud Especialistas recomendaram que São Tomé and Príncipe aumente inspeções espontâneas e não anunciadas no setor informal

São Tomé e Príncipe possui lacunas na coleta de dados sobre proteção de migrantes

Assuntos da ONU

Comitê da ONU incentiva autoridades locais a produzir informação sobre situação de estrangeiros no país e de são-tomenses no estrangeiro; crianças trabalham em “condições perigosas e vulneráveis” na agricultura e indústrias pesqueiras.

São Tomé e Príncipe foi avaliado pelo Comitê da ONU para a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e Membros das suas Famílias. 

Os especialistas expressaram preocupação com a falta de dados detalhados e estatísticas sobre várias questões relacionadas com a migração nas considerações finais apresentadas em Genebra na última terça-feira. 

Condições de emprego de são-tomenses

Não há dados suficientes sobre a quantidade e a situação dos trabalhadores migrantes estrangeiros no arquipélago, bem como estatísticas e condições laborais de são-tomenses no exterior.

Para o Comitê, é preciso que o país tenha um sistema de coleta de informações sobre os trabalhadores nacionais e migrantes, especialmente em situações irregulares, com um registro sobre as condições de emprego. 

Um funcionário do Programa Mundial de Alimentos cumprimenta um grupo de homens locais com um aperto de mãos durante uma visita de campo em São Tomé e Príncipe.
PMA/Jorcilina Correia

O grupo defende que esses requisitos ajudariam a promover políticas mais eficazes de migração baseadas nos direitos humanos.

Embora não haja registros de exploração de migrantes, especialistas expressam preocupação com o aumento do trabalho infantil no setor informal, em especial na agricultura e pesca, nos quais crianças enfrentam condições perigosas e vulneráveis.

A recomendação às autoridades de São Tomé é que aumentem as inspeções espontâneas e não anunciadas no setor informal, levem ao tribunal e punam os envolvidos na exploração de trabalhadores migrantes, especialmente os menores.

Proteção de direitos

No dia 1º de dezembro, as autoridades são-tomenses apresentaram o relatório para a 37ª sessão do comitê destacando a adoção de uma comissão interministerial de direitos humanos há três anos. 

O governo anunciou que o mecanismo nacional definiu como uma das prioridades para 2024 a criação de um projeto de lei que avaliava o orçamento e a estrutura necessários para um novo instituto de direitos humanos.

De acordo com o governo, as questões dos são-tomenses no exterior são tratadas em embaixadas instaladas em vários países.

Na sessão, o ministro das Finanças de São Tomé e Príncipe, Ginésio Da Mata, lembrou que o país ratificou a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias em 2017.

O chefe da delegação disse que, desde então, as autoridades são-tomenses atuam na proteção destes direitos, promovendo o princípio da igualdade para eliminar a discriminação contra estrangeiros em São Tomé e Príncipe.