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Agência da ONU pede ação global anticrime para evitar catástrofe climática

Uma colagem de três fotos da vida selvagem do Butão, apresentando um pássaro, um macaco langur e um lagarto.
© BES/Joshua F. Goldberg Atividades ilícitas contribuem para a rápida degradação dos ecossistemas

Agência da ONU pede ação global anticrime para evitar catástrofe climática

Clima e Meio Ambiente

Evento da COP28 sobre combate a crimes ambientais pediu resposta acelerada da  justiça e medidas em favor do planeta e dos seus ecossistemas; principais delitos incluem deflorestação ilegal, poluição marinha, tráfico de vida selvagem e crimes nas áreas pesqueira, de resíduos e mineração.

O Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, alertou sobre os impactos da criminalidade ambiental ao defender medidas nessas áreas em favor do planeta.

O efeito das crises da perda de biodiversidade, poluição e alterações climáticas foi tema de uma sessão realizada pela agência das Nações Unidas durante a 28ª Cúpula do Clima, COP 28, em Dubai.

Combate às mudanças do clima

O Unodc destacou  a associação entre a biodiversidade e as alterações climáticas ao assinalar como florestas e outros ecossistemas terrestres e marinhos capturam e armazenam carbono da atmosfera favorecendo o combate às mudanças do clima.

Um golfinho salta no ar sobre o oceano ao largo da ilha de Atauro, Timor-Leste.
UN Photo/Martine Perret

 

Para a diretora executiva do Unodc, Ghada Waly, “o tempo está se esgotando para evitar a catástrofe climática, prevenir a perda de biodiversidade e acabar com a asfixia do planeta” causada pela poluição e pela eliminação ilegal de resíduos.

Ela ressaltou a gravidade dos crimes ambientais porque enfraquecem a resiliência do planeta, ameaçam as espécies de extinção, contaminam os recursos hídricos vitais e minam o Estado de direito e o desenvolvimento sustentável. 

Dirigindo-se aos governos e outras partes envolvidas na abordagem anticrime, Waly pediu que o evento global sirva para tomar medidas concretas prevendo respostas da justiça na agenda climática e favorecendo o planeta e seus ecossistemas frágeis.

Tráfico de vida selvagem e crimes no setor pesqueiro 

O Unodc lista entre os principais delitos ambientais a deflorestação ilegal, a poluição marinha, o tráfico de vida selvagem e crimes nos setores da pesca, dos resíduos e da mineração.

Estas  atividades ilícitas contribuem para a rápida degradação dos ecossistemas porque prejudicam a capacidade de se adaptarem às alterações do clima. Dessa forma, piora o declínio da biodiversidade e a liberação de CO2 e outros gases nocivos na atmosfera.

Vista aérea de uma clareira em uma floresta brasileira, mostrando uma longa estrada de terra, uma cerca de arame e um grupo de gado reunido perto de uma pequena estrutura.
Pnuma/Riccardo Pravettoni

O ambiente também fica mais degradado com a prática de crimes como o tráfico ilegal de resíduos ou a falta de gestão ou descarte em ecossistemas públicos, aterros ilícitos ou locais de incineração ao ar livre. 

Sem ação para conter estes crimes e fazer uma gestão segura desses resíduos, o resultado pode ser o aumento das emissões de gases com efeito estufa, incluindo o metano e outros poluentes. Estima-se que esses elementos sejam responsáveis por cerca de 3% das emissões globais.

Degradação causada pela mineração

O Unodc pede mais apoio e práticas de gestão de resíduos ambientalmente corretas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que se promove uma economia circular de mitigação climática.

Por outro lado, atividades como a mineração ilegal arrasam paisagens, degradam habitats naturais e perturbam sumidouros vitais de carbono, incluindo minerais como o lítio, o níquel, o cobalto, o cobre e substâncias de terras raras que são necessários para a transição para a energia sustentável.

A alta procura global destes materiais também impulsiona a corrupção e o crime organizado devido às limitações nas capacidades de aplicação da lei, bom emprego de medidas regulatórias e às vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento.