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Seis meses de crise no Sudão provocaram fuga de 366 mil para o Sudão do Sul

Preocupações do Acnur crescem na sequência dos recentes deslocamentos provocados pelos novos combates na região de Darfur
© Acnur/Jutta Seidel
Preocupações do Acnur crescem na sequência dos recentes deslocamentos provocados pelos novos combates na região de Darfur

Seis meses de crise no Sudão provocaram fuga de 366 mil para o Sudão do Sul

Paz e segurança

Confrontos seguem em direção ao sul e fazem crescer temor de novos deslocamentos; situação agravaria ainda mais o auxílio aos necessitados; Acnur precisa de US$1 bilhão para apoiar sudaneses abrigados em cinco países.

O fluxo de repatriados e refugiados do Sudão para o vizinho Sudão do Sul aumentou pela metade em outubro na comparação com o mês anterior.

Desde o início do  conflito em abril, as Nações Unidas confirmaram que mais 366 mil pessoas deixaram o território sudanês e atravessaram a fronteira entre os dois países. 

Receios de novos deslocamentos

O conflito entre Forças Armadas do Sudão e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido, RSF, se expande para o sul aumentando receios de novos deslocamentos que tornariam mais difícil a resposta que já está sobrecarregada.

Acnur classifica a crise humanitária como “inimaginável” em todo o Sudão
© Acnur/Jutta Seidel

 

Para a comunidade humanitária, a grande ameaça é que faltem fundos para ações essenciais até o final do ano. O Plano de Resposta de Emergência para repatriados e refugiados no Sudão do Sul obteve apenas 14% dos recursos necessários para este ano.

As agências humanitárias defendem que é essencial garantir a entrega de auxílio alimentar e nutricional, bem como instalações adequadas de saneamento e higiene e serviços de transporte.

Desde o início dos combates, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, estima que mais de 4,5 milhões de pessoas tenham fugido das suas casas para outras áreas sudanesas. Mais de 1,2 milhão partiu para o Chade, o Egito, a Etiópia e a República Centro-Africana. 

Novos combates na região de Darfur

O Acnur classifica a crise humanitária como “inimaginável” em todo o Sudão. As preocupações da agência crescem na sequência dos recentes deslocamentos provocados pelos novos combates na região de Darfur.

Agências humanitárias defendem que é essencial garantir a entrega de auxílio alimentar e nutricional
© Acnur/Samuel Otieno

 

Crianças continuam a morrer devido à situação gerada pela falta acesso a alimentos, abrigo, água potável ou outros bens essenciais. Um dos casos mais graves é o do estado do Nilo Branco onde não há medicamentos, pessoal e suprimentos básicos.

A agência destacou que teve menos de 40% de fundos do Plano Regional de Resposta aos Refugiados para os países vizinhos que acolhem refugiados sudaneses. No total, o Acnur precisa de US$1 bilhão para a atuação em cinco países. 

Um apelo separado para cobrir as necessidades humanitárias no Sudão foi coberto em apenas um terço. A meta é atingir 18,1 milhões de pessoas com US$ 2,6 bilhões.