Perspectiva Global Reportagens Humanas

China deve evitar repatriação forçada de norte-coreanos fugitivos

A Dra. Ri Chol Ok, uma profissional de saúde do Unicef na Coreia do Norte, conversa com uma mãe sobre a saúde de seu filho em uma casa na zona rural.
© Unicef/Simon Nazer Segundo os relatores, a maioria dos repatriados são mulheres e o retorno foi feito mesmo após repetidos apelos por diversos órgãos internacionais de direitos humanos.

China deve evitar repatriação forçada de norte-coreanos fugitivos

Direitos humanos

Especialistas de direitos humanos da ONU afirma que autoridades chinesas devem buscar soluções alternativas e respeitar direito internacional; segundo relatos, norte-coreanos que são repatriados sofrem violações e tortura.

Especialistas da ONU* afirmam que a China deve considerar soluções alternativas à repatriação forçada de norte-coreanos fugitivos e respeitar o princípio de não repulsão garantido pelo direito internacional.

Eles expressaram preocupação com relatos de que as autoridades chinesas teriam repatriado à força centenas de fugitivos da Coreia do Norte. 

Apelos internacionais

Segundo os relatores, a maioria dos repatriados são mulheres e o retorno foi feito mesmo após repetidos apelos por diversos órgãos internacionais de direitos humanos. 

Centenas de indivíduos, segundo relatos, permanecem detidos enfrentando o mesmo destino.

Segundo os especialistas, há relatos que sugerem que os norte-coreanos repatriados à força seriam submetidos a tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante e outras sérias violações dos direitos humanos. 

As autoridades rotulam esses indivíduos de "criminosos" se cometerem "travessia ilegal de fronteira" e "traidores" se encontrarem qualquer indício de "intenção de escapar para a República da Coreia". 

Se declarados "traidores", eles recebem punições severas, incluindo prisão sem devido processo, podendo ser vítimas de desaparecimento forçado e até execução, alertam os especialistas.

Pedestres caminham por uma rua em uma área industrial da Coreia do Norte ao pôr do sol, passando por baixo de uma placa com texto em coreano.
© Unsplash Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coreia.

Violações aos direitos humanos

Os especialistas lembram que ninguém deve ser devolvido a um país onde enfrentaria o risco de tortura, tratamento cruel, desumano ou degradante, além de outros danos irreparáveis, incluindo o uso da pena de morte e o desaparecimento forçado.

Eles enfatizam que o princípio de não repulsão deve ser aplicado a todos os indivíduos em todos os momentos, independentemente de seu status migratório. 

A proibição de repulsão é uma proteção essencial no direito internacional dos direitos humanos, direito de refugiados, direito humanitário, entre outros.

A norma está prevista na Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Punições Cruéis, Desumanos ou Degradantes, bem como na Convenção sobre Refugiados de 1951 e em seu Protocolo de 1967, dos quais a China é signatária.

Resposta chinesa

Os especialistas agradeceram a resposta oficial da China a uma carta conjunta. O texto expressava preocupação com a repulsão e pedia ao país pelo cumprimento de suas obrigações legais internacionais e não repatriar à força os norte-coreanos fugitivos restantes.

Eles ainda pedem que a Coreia do Norte permita que agências da ONU, outras organizações humanitárias e missões diplomáticas retornem ao país o mais breve possível.

O grupo de relatores faz um apelo às autoridades norte-coreanas para que cumpra suas obrigações legais internacionais em relação a todos os cidadãos que retornam ao país, incluindo a proibição absoluta de tortura e desaparecimento forçado, a proibição de detenção arbitrária e garantias de julgamento justo.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.