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ONU abriga primeira conferência global sobre como medir corrupção

Mundo precisa de metodologia clara contra corrupção
Unsplash/Jason Leung
Mundo precisa de metodologia clara contra corrupção

ONU abriga primeira conferência global sobre como medir corrupção

Legislação e prevenção de crimes

Líder do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, lembra que o crime mina a capacidade do mundo de responder adversidades e de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

As Nações Unidas marcam os 20 anos de sua Convenção contra a Corrupção com a primeira conferência global para mensurar a prática, realizada em Viena, na Áustria.

No discurso de abertura do evento, nesta quinta-feira, a diretora-executiva do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, afirmou que a corrupção se espalha por “linhas turvas e prospera na ambiguidade.”

Estado de direito e ODS

Ghada Waly lembra que a corrupção também desvia recursos importantes para serviços essenciais, viabiliza o crime organizado e aprofunda desigualdades.

Em dezembro, o Unodc organizará a 10a. Conferência dos Estados Partes da Convenção, em Atlanta, nos Estados Unidos. Waly quer utilizar o evento para ajudar a renovar a cooperação internacional sobre as formas de mensurar a corrupção no mundo.

Corrupção mina Estado de direito e alimenta crime organizado
Unsplash/Nathaniel Tetteh

A chefe da agência da ONU também destaca que a corrupção mina a capacidade do mundo de responder a adversidades e a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Temas como o combate a mudanças climáticas, degradação ambiental e as ameaças fundamentais à governança e ao Estado de direito em muitas partes do mundo serão debatidos.

Segundo o Unodc, um modelo de mensuração da corrupção, no mundo, pode ajudar a desenvolver clareza estabelecendo causas, consequências e tendências para identificar as falhas e fraquezas monitorando e avaliando a eficiência de políticas de combate à corrupção.

Medir corrupção não é fácil

Ghada Waly afirma que medir corrupção não é uma tarefa fácil. O crime tem formas diferentes entre os países e setores e é influenciado por fatores políticos, culturais, econômicos e sociais.

Estimativas e estatísticas relacionadas à corrupção são passíveis de perguntas e muitas metodologias contra esse tipo de crime não são muito claras.

Para a líder do Unodc, tudo isso leva a um panorama distorcido também em muitos países do chamado Sul Global, que segundo Waly, são considerados corruptos.

Ela acredita que esse também é um problema. 

Processo internacional

A mensuração da corrupção precisa de uma abordagem específica e abrangente que possa incluir uma série de partes interessadas e voltada a diferenças entre países e regiões.

A agência da ONU coopera com países que precisam de ferramentas para medir a prática e que sejam de propriedade nacional, além de um processo internacional confiável, que possam ajudar as nações interessadas em enfrentar o crime.

O Unodc citou o exemplo de Gana e Nigéria que realizaram pesquisas nacionais sobre a corrupção.