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ONU alerta para expansão contínua do Daesh na África

Um homem carrega duas crianças enquanto caminha em um posto de controle em Qayyara, ao sul de Mosul, no Iraque, com uma coluna de fumaça escura ao fundo.
Unicef/Alessio Romenzi Um homem recentemente deslocado carrega duas crianças num posto de controle em Qayyara, ao sul de Mosul, no Iraque (arquivo)

ONU alerta para expansão contínua do Daesh na África

Paz e segurança

Grupo terrorista aumentou ataques no Mali, Burkina Fasso e Níger; Sudão e RD Congo também registram crescimento de ataques; relatório aponta estrutura descentralizada do grupo como fator dificultando ações antiterrorismo; texto cita Moçambique, Egito e Iêmen por iniciativas que limitaram ações do grupo.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas acolheu nesta sexta-feira a apresentação do 17° relatório do secretário-geral sobre a ameaça colocada pelo grupo terrorista Daesh conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

O documento foi apresentado conjuntamente pelo subsecretário-geral da ONU para Contraterrorismo, Vladimir Voronkov, e pela diretora-executiva do Comitê Antiterrorismo, Natalia Gherman.

Expansão na África

Voronkov destacou que em algumas partes da África, a expansão contínua do Daesh e de grupos afiliados, bem como o nível crescente de violência e ameaça, continuam a ser “profundamente preocupantes.”

De acordo com o subsecretário-geral, a filial do Daesh na região do Sahel está se tornando cada vez mais autônoma e aumentando os ataques no Mali, Burkina Fasso e Níger. 

Ele afirmou que os confrontos entre este grupo e uma filial da Al-Qaeda na região, juntamente com a situação incerta após o golpe de Estado no Níger, “apresenta um desafio complexo e multifacetado.”

Voronkov disse que o conflito e a instabilidade no Sudão também “renovaram a atenção” sobre a presença do Daesh e outros grupos terroristas. Ele destacou ainda o aumento de ataques no leste da República Democrática do Congo, onde mais de 500 pessoas morreram devido à violência.

Por outro lado, o relatório cita iniciativas antiterrorismo em Moçambique, Egito e Iêmen que “limitaram significativamente” a capacidade de Daesh de operar. 

Vladimir Voronkov, Subsecretário-Geral do Escritório das Nações Unidas de Combate ao Terrorismo, informa a reunião do Conselho de Segurança sobre as ameaças à paz e à segurança internacionais causadas por atos terroristas. O Conselho ouve o décimo terceiro relatório do Secretário-Geral sobre a ameaça representada pelo Estado Islâmico (Daesh) à paz e à segurança internacionais e sobre o leque de esforços das Nações Unidas em apoio aos Estados-Membros no combate a essa ameaça (S/2021/682).
ONU/Manuel Elias Subsecretário-geral da ONU para Contraterrorismo, Vladimir Voronkov

Estrutura descentralizada

O chefe de contraterrorismo disse que as vítimas e sobreviventes “servem como poderosos lembretes da importância de sustentar esforços multilaterais contra o Daesh e o terrorismo em todas as suas formas e manifestações”.

Ele destacou o “progresso no combate às finanças e aos quadros de liderança do Daesh, incluindo a morte do líder do grupo no início deste ano.” Segundo Voronkov, essas ações tiveram um “efeito notável” nas operações da entidade terrorista no Iraque e na Síria. 

O grande desafio apontado pelo subsecretário é que o “Daesh adotou um modelo menos hierárquico, com estruturas em rede e descentralizadas”, resultando em “maior capacidade operacional e autonomia para seus grupos afiliados.”

Conflitos existentes

Natalia Gherman complementou dizendo que “o Daesh continua ágil e ambicioso, apesar da diminuição de seu controle territorial.” Ela explicou que as atividades terroristas continuam ocorrendo, “predominantemente no contexto de conflitos existentes.” 

A diretora do Comitê Antiterrorismo também citou fatores como “um cenário geopolítico fragmentado, incluindo a presença de grupos terroristas que operam em múltiplas regiões, e a emergência de novas áreas de conflito.”