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Agências da ONU atuam juntas para mitigar efeito de ondas de calor

Os incêndios florestais no nordeste da ilha de Corfu, na Grécia, podem ser vistos claramente da cidade de Corfu.
UN News/Katy Dartford
Os incêndios florestais no nordeste da ilha de Corfu, na Grécia, podem ser vistos claramente da cidade de Corfu.

Agências da ONU atuam juntas para mitigar efeito de ondas de calor

Clima e Meio Ambiente

Organização Meteorológica Mundial colabora com Organização Mundial de Saúde; impactos vão além da saúde humana podendo afetar ecossistemas, economias, agricultura, energia e abastecimento de água.

Entidades das Nações Unidas atuam em conjunto para mitigar o efeito de ondas de calor na sequência de recentes episódios extremos em áreas do Hemisfério Norte, especialmente América do Norte, Europa e Ásia. 

Em entrevista durante o período, o climatologista Álvaro Silva falou à ONU News. Ele salientou que é preciso apoiar as autoridades nacionais num momento em que há maior frequência dos eventos. 

Em todo o mundo, mais incidentes de eventos climáticos extremos estão sendo registrados
OMM/Daniel Pavlinovic
Em todo o mundo, mais incidentes de eventos climáticos extremos estão sendo registrados

Aquecimento global

O especialista mencionou que o estudo das agências da ONU poderá impulsionar ações em países quando se vivem os efeitos do aquecimento global.

“A Organização Meteorológica Mundial, OMM, está a trabalhar conjuntamente com a Organização Mundial de Saúde, OMS, para limitar os efeitos adversos das ondas de calor, melhorando o conhecimento e as formas de adaptação às ondas de calor. Portanto, esta colaboração é algo que que é importante, ao nível dos serviços meteorológicos mundiais nacionais, que também são importantes no suporte à Organização Mundial de Meteorologia, saber que eles são as instituições de confiança que melhor informarão às pessoas sobre o que se espera, do ponto de vista de temperatura e de outros parâmetros climáticos, mas neste caso das temperaturas elevadas, e estar atentos aos avisos.”

Segundo a OMM, julho de 2023 é oficialmente o mês mais quente já registrado, com temperaturas recordes registradas tanto na terra quanto no mar.

Para o especialista, esta sequência de acontecimentos marca o desenrolar das previsões. As ondas de calor e os incêndios em todo o mundo fizeram a temperatura aumentar 0,33°C em relação ao recorde estabelecido há quatro anos.

Milhões de pessoas em Bangladesh foram afetadas por choques climáticos como inundações
PMA/Sayed Asif Mahmud
Milhões de pessoas em Bangladesh foram afetadas por choques climáticos como inundações

Limitar os efeitos das alterações climáticas

“Estamos cada vez mais a experienciar aquilo que foi antecipado há muitos anos do ponto de vista de mudança climática. É importante não esquecer que temos de acelerar a adaptação. A adaptação pode não ser suficiente, no ponto de vista das medidas que estão atualmente em vigor, e dos planos de ação. Temos de assegurar a adaptação, mas temos também sobretudo continuar a apostar e, nunca dizer isto porque ainda é possível trabalhar nesse sentido continuar a passar esta mensagem de que sem mitigação não será possível limitar os efeitos das alterações climáticas. A mitigação está muito relacionada, ou é sobretudo relacionada, com os gases de efeito estufa.” 

Uma das referências é que os países atuem de forma urgente para a redução dos gases de efeito estufa na atmosfera. No momento do anúncio do novo recorde, a OMM destacou que essas ações “devem ser as mais intensas possíveis.”

Para o especialista português, os maiores esforços para lidar com o problema deve ser impulsionar a adaptação e mitigação.

Grande impacto na saúde humana

“Salientar que há limites para a adaptação. É uma mensagem que também tem sido passada pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas: que a adaptação é possível até determinados limites. Depois disso já é muito complicada. Daí que a mitigação seja, de facto, uma peça-chave neste jogo em que, para já, ainda não estamos a ganhar. Estou certo de que se houver um profundo interesse dos governos, de diferentes países e de toda a sociedade é possível inverter, ou pelo menos atenuar, o crescimento dos impactos das alterações climáticas.”

Para a OMM, a ocorrência cada vez mais ondas de calor terá grande impacto na saúde humana.

O secretário-geral da agência, Petteri Taalas, destacou potenciais efeitos em ecossistemas, economias, agricultura, energia e abastecimento de água.