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Comitê de Direitos Humanos diz que Brasil deve combater impunidade da violência política

O edifício do Congresso Nacional em Brasília, Brasil, com suas torres gêmeas distintivas e estruturas abobadadas refletidas na água do primeiro plano sob um céu azul claro.
Unsplash/Ramon Bucard O Congresso Nacional do Brasil, em Brasília.

Comitê de Direitos Humanos diz que Brasil deve combater impunidade da violência política

Direitos humanos

Especialistas em direitos civis e políticos concluíram análise do país e destacaram o caso da vereadora assassinada, no Rio de Janeiro, Marielle Franco como exemplo da necessidade de mais investigação e responsabilização; comitê também apontou preocupação com violência policial e demora na demarcação de terras indígenas e quilombolas.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU emitiu nesta quarta-feira suas conclusões sobre a revisão dos direitos civis e políticos em sete países, dentre eles o Brasil.

As conclusões contêm as principais preocupações e recomendações de especialistas do Comitê sobre a implementação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. 

Caso Marielle Franco e violência policial

A respeito do Brasil, o Comitê lamentou a “falta de responsabilização e impunidade pela violência na política”, mencionando especificamente o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

As conclusões pedem que o Estado brasileiro proteja de violência, assédio e intimidação os candidatos políticos e aqueles que já exercem o cargo, “inclusive investigando, processando, prendendo os agressores responsáveis, inclusive no caso de Marielle Franco.”

O documento destaca especialmente a necessidade de proteção para mulheres,  afrodescendentes, povos indígenas e pessoas Lgbti que ingressam na política. 

O Comitê destacou ainda a preocupação com uso excessivo da força, execuções extrajudiciais e práticas de perfil racial por agentes da lei. 

O documento pede que o país “redobre seus esforços para investigar todas essas denúncias, processar os autores e indenizar as vítimas”, incluindo nos casos relacionados à invasão do bairro Complexo da Maré em 2019 e às operações policiais no Jacarezinho, em 2021, e na Vila Cruzeiro em 2022.

Vista aérea das favelas densamente povoadas do Complexo da Maré, Rio de Janeiro, Brasil.
UIA2020RIO Complexo da Maré, noRio de Janeiro.

Lentidão na demarcação de terras

As conclusões sobre o Brasil apontam a “falta de um processo efetivo de demarcação de terras, que tem levado a crescentes conflitos fundiários, invasão ilegal e exploração de recursos, bem como ataques e assassinatos de povos indígenas.” 

O Comitê também levantou preocupação com a doutrina do “Marco Temporal”, que limita o reconhecimento da posse de terras ancestrais pelos povos indígenas apenas aos territórios que ocupavam na data de promulgação da Constituição, em 1988. 

Os especialistas notaram a lentidão na demarcação e titulação de terras para comunidades indígenas e quilombolas e instaram o Brasil a agilizar estes processos.

Aspectos positivos e próximos passos

Outra preocupação do Comitê é com relatos de falta de independência, incluindo denúncias de “portas giratórias” entre o poder Judiciário e o Executivo que podem levar a “conflitos de interesse, influência indevida e desigualdades.”

Como aspectos positivos, o Comitê reconheceu a aprovação de diversas medidas legislativas que incluem temas como combate ao feminicídio e à violência doméstica, apoio a migrantes, cotas para afrodescendentes na administração pública federal e medidas para a prevenção da tortura.

O Comitê elogiou também a criação dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial, e do Sistema de Informação sobre Tráfico de Pessoas. 

O governo brasileiro terá um período de três anos para informar aos peritos internacionais o que tem feito para cumprir com as sugestões.