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ONU renova mandato do Escritório Integrado no Haiti

Um incêndio causado por pneus em uma rua de Porto Príncipe, Haiti, durante um protesto. Duas pessoas caminham na calçada próxima.
© Unicef/U.S. CDC/Roger LeMoyne Pessoas caminham pelo distrito de Turgeau, um dos bairros da capital do Haiti, Porto Príncipe, mais afetado pela violência das gangues

ONU renova mandato do Escritório Integrado no Haiti

Paz e segurança

Conselho de Segurança adotou resolução por unanimidade; mesmo com consenso sobre a renovação, Estados-membros mantêm divergências sobre envio de forças internacionais; no país aumentam mortes e vítimas de insegurança alimentar.

Nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança aprovou por unanimidade a renovação do mandato do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti, Binuh. A extensão vai até 15 de julho de 2024.

O texto votado foi elaborado pelos Estados Unidos e Equador. A sessão acontece semanas após a visita do secretário-geral da ONU, António Guterres, ao país caribenho. No começo deste mês, ele esteve com o primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry.

Uma cena de rua em Porto Príncipe, Haiti, com um colorido "táxi de tacos" no centro, uma pessoa em uma motocicleta à direita e outros veículos ao fundo.
UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez Violência de gangues no Haiti aterroriza população

Ajuda da comunidade internacional

Com o agravamento da violência causada pelas gangues, o chefe das Nações Unidas vem reforçando seu pedido de apoio ao Haiti. Ele defende o envio de força internacional para apoiar a Polícia Nacional.

Embora a resolução pela continuação do mandato tenha sido adotada com total consenso, os membros do Conselho divergem quanto à resposta para a crise, especialmente sobre uma possível missão de paz no terreno.

O Brasil apoiou o Haiti em missões no passado e ocupa um assento rotativo no Conselho de Segurança até o final deste ano. O representante brasileiro na sessão, Guilherme Bayer, alerta para o agravamento da situação e pede um monitoramento constante.

Ele adicionou que espera que a ONU apresente todas as possibilidades aos países-membros do órgão e que qualquer decisão futura leve em consideração as vontades do povo haitiano.

Além disso, o conselheiro da Missão do Brasil na ONU afirmou que as causas da violência, como as desigualdades e instabilidade, devem ser levadas em consideração.

O representante do Haiti também falou aos membros, elogiando a renovação e pedindo mais contribuição ao pedido do país por ajuda no controle da violência.

Pessoas e veículos transitam por uma rua alagada e repleta de destroços no Haiti após enchentes e deslizamentos de terra devastadores.
© AAH/Vicky Onelien Haiti encara dificuldades de acesso à água limpa e segura que acompanhada por surtos de cólera

Situação no país

Os últimos dados da ONU sobre a situação no Haiti apontam a piora da situação. Em maio, houve um aumento de 28% no número de pessoas mortas, feridas ou sequestradas em comparação com o trimestre anterior.

O relatório anual mais recente do secretário-geral sobre crianças em conflitos armados, apresentando em junho, lista o Haiti pela primeira vez como uma “situação preocupante”. 

As necessidades humanitárias no Haiti também pioram. Estudos da ONU apontam que aproximadamente 5 milhões de pessoas, ou quase metade da população haitiana, podem sofrer com insegurança alimentar aguda. 

O relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA, sobre insegurança alimentar aguda, classificou o Haiti pela primeira vez como um “ponto de fome da maior preocupação”.